O "Monitor" agora tende a ser realmente global
O Council on Foreign Relations dos Estados Unidos está anunciando uma instigante iniciativa: a criação do "Council of the Councils" ou "Conselho dos Conselhos", que pretende ser uma tertulia planetária (ou quase) sobre governança global e cooperação multilateral.
Algo como uma mesa de bar para discutir o mundo entre acadêmicos badalados.
Creio ser dispensável apresentar o CFR, uma das organizações mais respeitadas no campo da política/economia internacional, que edita a revista "Foreign Affairs", velha de mais de meio século, e adaptou-se aos novos tempos com o lançamento, entre outras iniciativas, do "Global Governance Monitor", instrumento multimídia.
Cabe, portanto, apresentar o "Conselho dos Conselhos" que engloba instituições de 19 países, seguindo mais ou menos a lista do G20, o clube das grandes economias.
(A Espanha não entrou na lista, talvez porque não é membro pleno do G20, mas país convidado).
Quando digo, no título, que o Brasil entra no mapa é porque a Fundação Getúlio Vargas (FGV), centro de ensino e pesquisa de excelência de São Paulo, é parte do grupo. Faz tempo que venho cobrando a participação de acadêmicos brasileiros nos debates globais, antes mesmo de o Brasil ter se tornado "emergente".
Afinal, um país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, 200 milhões de habitantes e vastos recursos naturais tem que ter algo a dizer ao mundo sobre si próprio e sobre os grandes temas do planeta. Mas não dizia, a não ser pela voz de representantes do governo. Por mais autorizadas que sejam, representam apenas uma visão do país e do mundo. Há outras, como é óbvio.
Cito sempre o caso do Fórum de Davos, que é a maior concentração de personalidades que o mundo consegue colocar em um mesmo ambiente. O Brasil, antes como depois de ser estrela global, tem uma participação escassa, para não dizer nula no caso de acadêmicos e pesquisadores de assuntos globais.
Mesmo empresários - que são a grande clientela do Fórum - vão poucos e raros são líderes de suas respectivas categorias. Não quer dizer que os que vão não sejam eventualmente brilhantes. Mas não carregam consigo o peso da representação institucional.
Agora, a iniciativa do CFR põe a intelectualidade brasileira no mapa. Pena que a entidade escolhida seja do setor privado, quando há pelo menos três universidades públicas - a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade de Brasília - que teriam importantes contribuições a dar.
A FGV, de todo modo, é uma instituição de prestígio. No setor internacional, no entanto, lançou-se faz muito pouco tempo: seu Centro de Relações Internacionais é de 2009. Talvez por isso tenha 15 pesquisadores, incluindo o coordenador, Matias Spektor, e assistentes de pesquisa.
É uma dimensão modesta, ainda mais se comparada a do CFR.
O "Conselho dos Conselhos" está fazendo sua conferência inaugural hoje, dia 12, e amanhã, 13, em Washington.
Sua missão, diz a nota do CFR, é encontrar coincidências em torno de ameaças compartilhadas pelos 19 países-membros, e construir respaldo para ideias inovadoras e injetar soluções no debate público e no processo de decisões políticas desses países.
Nada que não seja absolutamente necessário e urgente neste momento de perplexidades globais.
E é relevante que países emergentes estejam representados porque, até aqui, os Estados Unidos (principalmente) e a Europa, em menos medida, monopolizaram o "bar" em que se discute o mundo.
É a seguinte a lista das instituições fundadoras:
África do Sul - Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais (SAIIA)
Alemanha - Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP).
Austrália - Instituto Lowy para Política Internacional.
Bélgica - Centro para Estudos de Política Europeia (CEPS).
Brasil - Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Canadá - Centro para Inovação em Governança Internacional (CIGI).
China - Institutos de Shangai para Estudos Internacionais (SIIS).
Cingapura - Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam (RSIS).
Coreia do Sul - Instituto da Ásia Oriental (EAI)
Estados Unidos - Conselho de Relações Internacionais (CFR).
França - Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI).
Indonésia - Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Israel - Instituto para Estudos de Segurança Nacional (INSS).
Itália - Instituto de Assuntos Internacionais (IAI).
Japão - Genron NPO
México - Conselho Mexicano de Relações Exteriores (COMEXI)
Rússia - Instituto de Desenvolvimento Contemporâneo (INSOR)
Turquia - Fórum de Relações Globais (GIF)
Reino Unido - Chatam House (The Royal Institute of International Affairs); e
Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (IISS)