Clovis Rossi

Sobre el autor

Clovis Rossi. 48 años de periodismo, columnista del diario "Folha de S. Paulo" y del portal Folha.com, ya ejerció todas las funciones posibles en el periodismo, de reportero a editor-jefe, ganador de los premios Maria Moors Cabot, de la Universidad Columbia (NY) y de la Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, dirigida por Gabriel García Márquez, los dos por el conjunto de la obra.

TWITTER

Clovis Rossi

Archivo

abril 2012

Lun. Mar. Mie. Jue. Vie. Sáb. Dom.
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30            

Categorías

O Brasil no mapa; a Espanha, não

Por: | 12 de marzo de 2012


O "Monitor" agora tende a ser realmente global

O Council on Foreign Relations dos Estados Unidos está anunciando uma instigante iniciativa: a criação do "Council of the Councils" ou "Conselho dos Conselhos", que pretende ser uma tertulia planetária (ou quase) sobre governança global e cooperação multilateral.
Algo como uma mesa de bar para discutir o mundo entre acadêmicos badalados.
Creio ser dispensável apresentar o CFR, uma das organizações mais respeitadas no campo da política/economia internacional, que edita a revista "Foreign Affairs", velha de mais de meio século, e adaptou-se aos novos tempos com o lançamento, entre outras iniciativas, do "Global Governance Monitor", instrumento multimídia.
Cabe, portanto, apresentar o "Conselho dos Conselhos" que engloba instituições de 19 países, seguindo mais ou menos a lista do G20, o clube das grandes economias.
(A Espanha não entrou na lista, talvez porque não é membro pleno do G20, mas país convidado).
Quando digo, no título, que o Brasil entra no mapa é porque a Fundação Getúlio Vargas (FGV), centro de ensino e pesquisa de excelência de São Paulo, é parte do grupo. Faz tempo que venho cobrando a participação de acadêmicos brasileiros nos debates globais, antes mesmo de o Brasil ter se tornado "emergente".
Afinal, um país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, 200 milhões de habitantes e vastos recursos naturais tem que ter algo a dizer ao mundo sobre si próprio e sobre os grandes temas do planeta. Mas não dizia, a não ser pela voz de representantes do governo. Por mais autorizadas que sejam, representam apenas uma visão do país e do mundo. Há outras, como é óbvio.
Cito sempre o caso do Fórum de Davos, que é a maior concentração de personalidades que o mundo consegue colocar em um mesmo ambiente. O Brasil, antes como depois de ser estrela global, tem uma participação escassa, para não dizer nula no caso de acadêmicos e pesquisadores de assuntos globais.
Mesmo empresários - que são a grande clientela do Fórum - vão poucos e raros são líderes de suas respectivas categorias. Não quer dizer que os que vão não sejam eventualmente brilhantes. Mas não carregam consigo o peso da representação institucional.
Agora, a iniciativa do CFR põe a intelectualidade brasileira no mapa. Pena que a entidade escolhida seja do setor privado, quando há pelo menos três universidades públicas - a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade de Brasília - que teriam importantes contribuições a dar.
A FGV, de todo modo, é uma instituição de prestígio. No setor internacional, no entanto, lançou-se faz muito pouco tempo: seu Centro de Relações Internacionais é de 2009. Talvez por isso tenha 15 pesquisadores, incluindo o coordenador, Matias Spektor, e assistentes de pesquisa.
É uma dimensão modesta, ainda mais se comparada a do CFR.
O "Conselho dos Conselhos" está fazendo sua conferência inaugural hoje, dia 12, e amanhã, 13, em Washington.
Sua missão, diz a nota do CFR, é encontrar coincidências em torno de ameaças compartilhadas pelos 19 países-membros, e construir respaldo para ideias inovadoras e injetar soluções no debate público e no processo de decisões políticas desses países.
Nada que não seja absolutamente necessário e urgente neste momento de perplexidades globais.
E é relevante que países emergentes estejam representados porque, até aqui, os Estados Unidos (principalmente) e a Europa, em menos medida, monopolizaram o "bar" em que se discute o mundo.

É a seguinte a lista das instituições fundadoras:
África do Sul - Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais (SAIIA)
Alemanha - Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP).
Austrália - Instituto Lowy para Política Internacional.
Bélgica - Centro para Estudos de Política Europeia (CEPS).
Brasil - Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Canadá - Centro para Inovação em Governança Internacional (CIGI).
China - Institutos de Shangai para Estudos Internacionais (SIIS).
Cingapura - Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam (RSIS).
Coreia do Sul - Instituto da Ásia Oriental (EAI)
Estados Unidos - Conselho de Relações Internacionais (CFR).
França - Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI).
Indonésia - Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Israel - Instituto para Estudos de Segurança Nacional (INSS).
Itália - Instituto de Assuntos Internacionais (IAI).
Japão - Genron NPO
México - Conselho Mexicano de Relações Exteriores (COMEXI)
Rússia - Instituto de Desenvolvimento Contemporâneo (INSOR)
Turquia - Fórum de Relações Globais (GIF)
Reino Unido - Chatam House (The Royal Institute of International Affairs); e
                        Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (IISS)

Brasil en el mapa; España, no

Por: | 12 de marzo de 2012

Pie de foto: La tendencia es que el “Monitor” sea realmente global.

El Consejo estadounidense de Relaciones Exteriores anunció una iniciativa provocadora: la creación del Consejo de los Consejos (Council of the Councils), que será una tertulia planetaria sobre los gobiernos globales y la cooperación multilateral. Algo como una mesa de bar donde académicos importantes discuten sobre el mundo.

Creo que no es necesario presentar el Consejo de Relaciones Exteriores de EE UU: una de las organizaciones más respetadas en el ámbito de la política/economía; el que edita la revista Foreign Affairs; el que tiene  más de medio siglo y se adaptó a los nuevos tiempos lanzando el instrumento multimedia Global Governance Monitor, entre otras iniciativas.

Pero sí es necesario presentar el Consejo de los Consejos, donde participan instituciones de 19 países, casi el listado del G20, el club de las grandes economías. España no está en el listado, quizás porque es país invitado del G20, no miembro.

Cuando digo en el título que Brasil entra en el mapa es porque el centro de enseñanza e investigación por excelencia de São Paulo, la Fundación Getúlio Vargas (FGV), está en el grupo. Hace tiempo que cobro la participación de académicos brasileños en los debates globales, incluso antes de que Brasil se transformara en “emergente”.

Al final, un país de 8,5 millones de kilómetros cuadrados, 200 millones de habitantes y amplios recursos naturales tiene que tener algo que decir al mundo sobre sí mismo y sobre los grandes temas del planeta. Solo decía a través de la voz de los representantes del gobierno. Aunque sean las autorizadas, estas voces representan solamente una visión sobre el país y el mundo. Y hay otras, obviamente.

Siempre menciono el caso del Foro de Davos, la mayor concentración de personalidades en un mismo ambiente. Brasil, tanto antes como después de ser estrella global, tiene una participación escasa, para no decir nula en el caso de académicos y investigadores de asuntos globales. Incluso los grandes clientes del Foro, los empresarios, son pocos y raras veces son líderes de sus respectivas categorías. No quiero decir que los que van no sean eventualmente brillantes. Pero no llevan consigo el peso de la representación institucional.

La iniciativa del Consejo estadounidense de Relaciones Exteriores pone la intelectualidad brasileña en el mapa. Es una lástima que la entidad seleccionada haya sido una del sector privado, mientras hay por lo menos tres universidades públicas que podrían hacer importantes contribuciones (Universidad de São Paulo, Universidad Federal de Rio de Janeiro y Universidad de Brasília).

FVG, de todos modos, es una institución prestigiosa. Hace poco tiempo que se lanzó al sector internacional: su Centro de Relaciones Internacionales es de 2009. Quizás por esto tenga 15 investigadores, incluyendo al coordinador, Matias Spektor, y a los asistentes de investigación. Es una modesta dimensión. Todavía más si la comparamos a la del Consejo.

El Consejo de los Consejos hace hoy su conferencia inaugural y mañana, el día 13, en Washington. Su misión, dice el teletipo del Consejo, es encontrar coincidencias alrededor de las amenazas compartidas entre los 19 países-miembros y construir un apoyo para ideas innovadoras e inyectar soluciones para el debate público y durante el proceso de decisiones políticas de estos países. Nada que no sea absolutamente necesario y urgente en estos momentos de perplejidades globales.

Y es relevante que países emergentes estén representados porque hasta hoy, EE UU, principalmente, y Europa, en menor medida, monopolizaron el “bar” en el que se discute el mundo.

Esta es la lista de las instituciones fundadoras:

Sudáfrica: Instituto Sudafricano de Asuntos Internacionales (SAIIA)

Alemania: Instituto Alemán para Asuntos Internacinoales y de Seguridad (SWP)

Australia: Instituto Lowy para Política Internacional

Bélgica: Centro de Estudios de Política Europea (CEPS).

Brasil: Fundación Getúlio Vargas (FGV)

Canadá: Centro para la Innovación en Gobernanza Internacional (CIGI)

China: Institutos de Shangai para Estudios Internacionales (SIIS)

Cingapura: Escuela de Estudios Internacionales S. Rajaratnam (RSIS)

Corea del Sur: Instituto Asia Oriental (EAI)

Estados Unidos: Consejo de Relaciones Internacionales (CFR)

Francia: Instituto Francés de Relaciones Internacionales (IFRI)

Indonesia: Centro para Estudios Estratégicos e Internacionales (CSIS)

Israel: Instituto para Estudios de Seguridad Nacional (INSS)

Italia: Instituto de Asuntos Internacionales (IAI)

Japón: Genron NPO

México: Consejo Mexicano de Relaciones Exteriores (COMEXI)

Rusia: Instituto de Desarrollo Contemporáneo (INSOR)

Turquía: Foro de Relaciones Globales (GIF)

Reino Unido: Chatam House (The Royal Institute of International Affairs); y Instituto Internacional para Estudios Estratégicos (IISS)

Traducción: Beatriz Borges

Um certo nervosismo

Por: | 08 de marzo de 2012




O primeiro ano de Dilma Rousseff beirou a monotonia, o que combina com o jeito de ser da presidenta, pouco afeita a estridências.
Mas a tranquilidade começou a ser sacudida neste final de verão, que mais parece o início dele, tão elevadas andam as temperaturas.
O primeiro sinal de nervosismo, até no governo, usualmente suave, veio com os números sobre o crescimento da economia em 2011. Já se sabia que ficaria abaixo de 3%, uma queda forte em relação aos espetaculares 7,5% de 2010, o último ano de Lula. Mas não se esperava o registro de apenas 2,7%.
Aqui cabe abrir um parêntesis para falar de um tema que me incomoda muito faz tempo: os erros nas previsões dos economistas e a incrível leniência com que o jornalismo continua a publicar tais previsões, sem ao menos alertar o leitor para os erros anteriores.
A minha crítica mais recente está aqui.

No início de 2011, os economistas previam crescimento de 4,5% para a economia brasileira - e o ministro da Fazenda, Guido Mantega acreditava. Deu pouco mais da metade e ninguém até agora pediu desculpas.



Depois desse primeiro choque, veio a notícia de que a indústria tivera em janeiro o pior desempenho em três anos, com um retrocesso de 2,1%. Pronto, foi o suficiente para que o Banco Central se decidisse a uma mexida espetacular nos juros - espetacular para os padrões usualmente conservadores da instituição: baixou os juros em 0,75 ponto percentual, reduzindo-os para 9,75%.
Aqui entra outro dos fatos econômicos brasileiros que me assusta: os juros continuam sendo os maiores do mundo. Não é razoável que um país ainda subdesenvolvido, que emerge penosamente, que tem dramáticos problemas sociais, cuja infra-estrutura é precária, gaste com a remuneração dos portadores de títulos públicos mais de 5% do PIB.
De todo modo, é louvável que o governo Dilma, desde o princípio, tenha deixado claro que, embora o combate à inflação continue sendo sagrado, não será feito de forma a prejudicar o crescimento.
Tanto que o ministro Mantega anuncia que vai tomar "semana após semana" medidas para estimular a economia. É bom que esteja atento, mas ainda não é o caso de o brasileiro cortar os pulsos por conta da desaceleração da economia.
Visto com olhos europeus, por exemplo, o crescimento brasileiro ainda é mais que razoável. Além disso, o consumo das famílias, responsável por 65% do PIB cresceu 4,1% em 2011, o que revela um grau de confiança na economia bastante interessante.
Melhor de tudo: o desemprego mantém-se muito baixo, quase no nível de pleno emprego - e quem tem emprego ganha confiança e, por extensão, fica propenso a consumir.
O lado negativo dos números é que o crescimento brasileiro continua muito abaixo dos outros grandes emergentes.



Há economistas ditos desenvolvimentistas que calculam que o Brasil precisaria crescer 7% ao ano, durante vários anos, para ir resolvendo ou ao menos diminuindo os problemas sociais e de infra-estrutura. Se é assim, então há de fato motivos para um certo nervosismo. Nada que leve ao pânico, mas a uma atenção redobrada, sem dúvida.

Un cierto nerviosismo

Por: | 08 de marzo de 2012

El primer año de Dilma Rousseff rozó la monotonía, lo que combina con la forma de ser de la presidenta, poco acostumbrada a la estridencia.

Pero la tranquilidad empezó a agitarse al final de este verano, que más parece el inicio, por las temperaturas tan elevadas.

La primera señal de nerviosismo son los números de 2011 sobre el crecimiento de la economía. Ya se sabía que este número estaría por debajo de los 3%, una fuerte caída respecto a los espectaculares 7,5% de 2010, el último año de Lula. Pero el registro de un 2,7% no era esperado.

Aquí cabe un paréntesis para hablar de un tema que me molesta desde hace mucho: los errores en las previsiones de los economistas y la increíble blandura del periodismo, que sigue publicando estas previsiones sin alertar el lector de los errores anteriores. Mi crítica más reciente está aquí.

A principios del 2011, los economistas preveían un crecimiento económico del 4,5%. Y el ministro de Hacienda, Guido Mantega, lo creía. El resultado fue un poco más que la mitad y, hasta ahora, nadie pidió disculpas.

Después de este primer choque, vino la noticia de que en enero la industria retrocedió un 2,1%, su peor desempeño en tres años. Listo. Esto fue suficiente para que el Banco Central decidiera tocar los intereses de manera espectacular. Espectacular para los padrones habitualmente conservadores de esta institución. El BC bajó los intereses en 0,75%, reduciéndolo a un 9,75%.

Aquí entra otro de los hechos económicos brasileños que me asustan: los intereses siguen siendo los mayores del mundo. No es razonable que un país todavía subdesarrollado gaste más del 5% del PIB con remuneraciones a los compradores de deuda pública. Un país que emerge penosamente, con dramáticos problemas sociales y de infraestructura precaria.

De todos modos, es de agradecer que el gobierno de Dilma haya dejado claro desde el principio que la lucha contra la inflación, pese a seguir siendo sagrada, no se hará perjudicando el crecimiento. Tanto que el ministro Mantega anunció que tomará medidas “semana tras semana” para estimular la economía. Todavía no es el momento para que el brasileño se corte las venas por la desaceleración de la economía, pero es bueno que esté atento.

Desde el punto de vista europeo, por ejemplo, el crecimiento brasileño es más que razonable. Además, el consumo de las familias creció un 4,1% en 2011. El consumo interno es responsable del 65% del PIB y revela un grado de confianza en la economía bastante interesante.

Lo mejor de todo: el paro se mantiene muy bajo, casi en el mismo nivel de pleno empleo. Quien tiene empleo, tiene confianza y, por consecuencia, está más propenso a consumir.

El lado negativo de los números es que el crecimiento brasileño sigue por debajo de los otros grandes emergentes.

Los economistas llamados desarrolladores calculan que Brasil necesitaría crecer un 7% al año durante varios años para resolver, o al menos reducir, los problemas sociales y de infraestructura. Si es así, entonces de hecho existen motivos para un cierto nerviosismo. Nada que lleve al pánico, pero a una atención redoblada, sin duda.

Traducción: Beatriz Borges

Gigante de roupa curta

Por: | 06 de marzo de 2012




O avião da foto não cabe no Brasil, no Brasil de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, 200 milhões de habitantes, potência tida como emergente, sexta maior economia mundial.
Quer dizer, o avião (um A 380) até cabe. Quem não cabe são seus passageiros.
É o que acaba de anunciar a Qatar Airways, por mais que a empresa esteja se preparando para expandir-se no Brasil.
"Se eu mandar [para o Brasil] um A380 com 514 passageiros, as filas vão ser ainda maiores e os meus passageiros vão ficar desapontados. Então, no momento eu acho que o aeroporto em São Paulo não é compatível", disse à "Folha de S. Paulo" o presidente-executivo Akbar Al Baker.
Desconfio que ele tem toda a razão do mundo. Em matéria de infra-estrutura, o Brasil está longe de ser emergente. Cada vez que desembarco no Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, o principal do Brasil, mais conhecido como aeroporto de Cumbica (ou de Guarulhos), fico com a impressão de estar voltando no tempo. Recorda-me o primeiro desembarque no aeroporto de Barajas, em Madrid, faz quase 40 anos.
Parecia mais um galpão que um aeroporto, o que até se entendia em um país que a ditadura franquista gostava de manter fechado para o mundo.
Hoje, Barajas causa impressão oposta, principalmente nos já não tão novos terminais 4 e 4S: muito espaço para relativamente pouco movimento.
Em Guarulhos, no entanto, não houve tempo ou previsão ou competência ou seja lá o que for para que o espaço e os serviços aos passageiros acompanhassem a expansão da economia e do número de viajantes.
A frase do presidente-executivo da Qatar Airways acaba dando razão a Jérôme Valcke, o secretário-geral da FIFA, na polêmica que é a principal atração do momento no noticiário brasileiro. Valcke disse que o governo brasileiro merecia "um chute no traseiro"("patada en el culo") pelo atraso nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014. Citou entre os pontos problemáticos justamente os aeroportos.
Tirando a linguagem chula, há alguma real diferença de conteúdo entre a frase de Valcke e a do presidente da Qatar Airways?
Basta lembrar que a queixa da Qatar foi levada, pela "Folha", ao diretor de aeroportos da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), João Marcio Jordão. Ele respondeu que a operação do A380 é possível, sim, mas apenas em alguns horários e após adaptações como reforçar o contingente da Polícia Federal que faz o controle de passaportes.
Cândida observação final de Jordão: "Não estou dizendo que a infraestrutura está adequada, estou dizendo que, com gestão, é possível". Ou, reduzindo à linguagem chula, com um "chute no traseiro" é possível.



Só não sei se um chute no traseiro resolve outro tipo de problema, sempre para ficar no quesito aeroportos: na semana passada, o sistema automatizado de check-in da empresa TAM, a principal do Brasil, provocou atrasos no embarque de passageiros nos aeroportos de todo o país.
A falha aconteceu por volta das 6h da sexta-feira, o que forçou o preenchimento manual dos cartões de embarque e etiquetas de bagagens, com os inevitáveis atrasos e até cancelamentos de alguns voos.
O problema afetou o sistema da companhia em todos os locais em que ela opera, inclusive em 20 aeroportos no exterior.
Tudo bem que ocorram problemas com a informática. Suspeito que todas as companhias aéreas do mundo já tiveram incidentes do gênero. O que merece, no entanto, um chute no traseiro é a demora em resolvê-lo. Até o meio da tarde ainda havia dificuldades.

Gigante de ropa corta

Por: | 06 de marzo de 2012

El avión de la foto no cabe en el Brasil de 8,5 millones de kilómetros cuadrados, de 200 millones de habitantes, la potencia considerada emergente, la sexta economía mundial. Es decir, un avión (el A380) cabe. Quienes no caben son sus pasajeros, anunció la aerolínea Qatar Airways, que está preparando, pese a ello, su expansión en Brasil.

“Si yo envío a Brasil un A380 con 514 pasajeros, las colas serán todavía más largas y mis pasajeros estarán decepcionados. Entonces, de momento, creo que el aeropuerto de São Paulo no es compatible” dijo el presidente ejecutivo Akbar Al Baker al periódico Folha de S. Paulo.

Desconfío que él tenga toda la razón del mundo. Brasil está lejos de ser emergente en términos de infraestructura. Cada vez que aterrizo en el principal aeropuerto de Brasil, el Aeropuerto Internacional Gobernador André Franco Montoro, más conocido como aeropuerto de Cumbica o de Guarulhos, tengo la impresión de volver en el tiempo. Me recuerda a mi primer aterrizaje en el aeropuerto de Barajas en Madrid, hace casi 40 años.

Se parecía más a un hangar que a un aeropuerto, lo que era comprensible en un país al que la dictadura franquista le gustaba mantener cerrado para el mundo.

Hoy Barajas provoca la impresión opuesta, principalmente con los ya no tan nuevos terminales 4 y 4S: mucho espacio para poca afluencia.

En Guarulhos, sin embargo, no hubo tiempo o previsión o competencia, lo que sea, para que el espacio y los servicios a los pasajeros acompañasen la expansión de la economía y el número de viajeros.

La frase del presidente ejecutivo de Qatar Airways da la razón al secretario general de FIFA, Jérôme Valcke, en una polémica que es actualmente la atracción principal de los noticieros brasileños. Valcke dijo que el gobierno brasileño merecía una “patada en el culo” por el retraso en los preparativos para la Copa del Mundo de 2014. Entre los puntos problemáticos citó justamente los aeropuertos.

Aparte del lenguaje chulo, ¿existe alguna diferencia de contenido entre la frase de Valcke y la del presidente de Qatar Airways?

Os recuerdo que el periódico Folha llevó la queja de Qatar a João Marcio Jordão, director de aeropuertos de Infraero (Empresa Brasileña de Infraestructura Aeroportuaria). Él contestó que la operación del A380 es posible, pero solamente en algunos horarios y haciendo algunas adaptaciones, como reforzar el contingente de la Policía Federal, responsable del control de pasaportes.

Al final del texto, la cándida observación de Jordão: “No digo que la infraestructura sea la adecuada, sino que, gestionando, es posible”. O, si lo pasamos al lenguaje chulo, con “una patada en el culo” es posible.

Solo no sé si una patada en el culo resuelve otro tipo de problema, aún en el tema de aeropuertos: la semana pasada el sistema automatizado de facturación de la empresa TAM, la principal aerolínea de Brasil, provocó retrasos en el embarque de pasajeros en todos los aeropuertos del país. Este problema ocurrió a las 6 de la mañana del viernes, lo que obligó a la empresa rellenar manualmente las tarjetas de embarque y etiquetas de equipajes, con los retrasos inevitables y cancelación de algunos vuelos.

El problema afectó al sistema de la compañía en todas las ciudades donde opera, incluso en 20 aeropuertos en el exterior. No pasa nada que hayan problemas informáticos. Sospecho que todas las aerolíneas del mundo ya tuvieron incidentes del género. Sin embargo, lo que merece una patada en el culo es el tiempo que se tarda en solucionarlo. Por la tarde, todavía había dificultades.

Traducción: Beatriz Borges

512 anos pedindo emprego

Por: | 01 de marzo de 2012

Na carta que escreveu ao rei de Portugal para comunicar o descobrimento do Brasil, Pero Vaz de Caminha, o escrivão oficial da frota, aproveitou para pedir emprego para um parente. Os céticos em relação ao Brasil usam esse episódio para dizer que o país já nasceu para o mundo com o vício do empreguismo, de usar o erário público como meio de vida.
Agora, 512 anos depois, o repórter Fernando Exman, do jornal "Valor Econômico", visitou a correspondência enviada à presidente Dilma Rousseff no seu primeiro ano de governo, e descobriu, claro, que pedidos de emprego ocupam boa parte dos 70.672 e-mails e cartas recebidas na sede do governo.
É verdade que o maior número é de críticas ao governo, coisa que Caminha não tinha a menor condição de fazer, como é óbvio. Mas 23.591 manifestações eram pedidos, de emprego ou de outras benesses, como moradia e proteção social. Ou seja, para uma parcela da população, a Presidência da República não é a instituição que deve elaborar políticas públicas a favor da maioria, mas um organismo capaz de resolver os pequenos (ou grandes) problemas individuais.
Tampouco surpreende que o maior número de pedidos de empregos venha de Brasília. A principal atividade econômica da capital federal é, digamos, a política. Além disso, uma das pragas da política brasileira é exatamente a promessa dos candidatos, quando em campanha, de conseguir emprego para seus correligionários.
É natural portanto que os missivistas se antecipem com pedidos dessa natureza.
Outro tipo de pedido igualmente revelador da distorção na visão sobre o funcionamento dos Poderes é o de indulto de presos. Claro que a presidente tem o poder de indultar presos, uma medida usualmente adotada em ocasiões especiais, como o Natal. Mas descartar o recurso à Justiça para aliviar a pena de prisioneiros de certa maneira revela a maneira hipertrofiada com que o Executivo é visto e/ou a desconfiança no aparelho judicial, reconhecidamento lento.
O teor exato de cada carta/e-mail não é revelado pela Presidência, que alega o caráter confidencial da correspondência. Mas a reportagem adianta que "as informações estão disponíveis à equipe de Dilma, que pode consultá-las durante a elaboração de discursos ou preparativos para as viagens da presidente. Servem também de termômetro para medir o humor e as demandas da população, assim como a visão de estrangeiros em relação ao Brasil".



A propósito dessa visão: as mensagens do exterior são sobretudo dos Estados Unidos, Portugal e Espanha. O primeiro país latino-americano a aparecer na lista é a Argentina, na oitava posição.
Interpretação queixosa de Claudio Soares Rocha, diretor de Documentação Histórica do Gabinete Pessoal da Presidenta da República: "Todo mundo critica que o brasileiro está de costas para a América Latina, mas a América Latina está de costas para o Brasil também".

512 años pidiendo un empleo

Por: | 01 de marzo de 2012

El escribano oficial de la flota de Portugal, Pero Vaz de Caminha, escribió una carta al rey para comunicarle el descubrimiento de Brasil. En ella, aprovechó para pedir empleo a un pariente. Los escépticos sobre Brasil usan este episodio para decir que el país nació adicto al empleísmo, a utilizar dinero público para ganarse la vida.

512 años después, el periodista de Valor Econômico, Fernando Exman, descubrió que los pedidos de empleo ocupan gran parte de los 70.672 correos y cartas que llegan a la sede del gobierno. Las correspondencias fueron enviadas a la presidenta Dilma Rousseff durante su primer año de gobierno.

Es cierto que el mayor número de cartas corresponde a críticas al gobierno, lo que Caminha obviamente no tenía condiciones de hacer. Pero 23.591 manifestaciones eran pedidos de empleo u otros favores, como vivienda y protección social. En otras palabras, para una parte de la población la Presidencia de la República es un organismo capaz de solucionar los grandes o pequeños problemas individuales, y no la institución que debe elaborar políticas públicas a favor de la mayoría.

No sorprende tampoco que el mayor número de solicitudes de empleo sean de Brasília. La principal actividad económica de la capital de Brasil es la política. Además, una de las plagas de la política brasileña es la promesa de los candidatos que, mientras están en campaña, dicen que darán un empleo a sus correligionarios.

Es natural que los autores de las cartas se anticipen a los hechos con pedidos de esta naturaleza. El indulto de encarcelados es otro tipo de petición, que igualmente revela la distorsión visual sobre el funcionamiento de los Poderes Públicos. Claro que la presidenta tiene el poder de indultar a encarcelados, una medida adoptada generalmente en ocasiones especiales, como Navidades. Pero el hecho de no considerar la Justicia competente para evaluar una pena revela la idea hipertrofiada que la población tiene sobre el Ejecutivo, o también, la desconfianza en el poder judicial, reconocidamente lento.

La Presidencia no revela el contenido de cada carta u email y se apoya en el carácter confidencial de las correspondencias para no hacerlo. Pero el reportaje adelanta que “el equipo de Dilma tiene las informaciones de las cartas a su disposición; pueden consultarlas para la elaboración de discursos o para los preparativos de los viajes de la presidenta. Las cartas son termómetros que sirven para medir el humor y las demandas de la población, así como la visión de los extranjeros sobre Brasil”.

Hablando de ello, la mayoría de los mensajes que vienen del exterior son de EE UU, Portugal y España. Argentina es el primer país latinoamericano que aparece en el listado y ocupa la octava posición.

El director de Documentación Historica del gabinete personal de la Presidencia de la República, Claudio Soares Rocha, dijo: “Todo el mundo critica que el brasileño da la espalda a Latinoamérica, pero Latinoamérica también da la espalda a Brasil”.

Traducción: Beatriz Borges

El País

EDICIONES EL PAIS, S.L. - Miguel Yuste 40 – 28037 – Madrid [España] | Aviso Legal