Clovis Rossi

Sobre el autor

Clovis Rossi. 48 años de periodismo, columnista del diario "Folha de S. Paulo" y del portal Folha.com, ya ejerció todas las funciones posibles en el periodismo, de reportero a editor-jefe, ganador de los premios Maria Moors Cabot, de la Universidad Columbia (NY) y de la Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, dirigida por Gabriel García Márquez, los dos por el conjunto de la obra.

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Sai o Estado, entra o Crime Inc.

Por: | 14 de noviembre de 2011

4bfb4b501d63dc7f430ca0d0ada0995c.jpeg Só pode haver algo de muito errado com um país que considera "histórico" o fato de as autoridades terem fincado a bandeira brasileira em território brasileiro, mais exatamente a favela da Rocinha, considerada e maior e mais emblemática do Rio de Janeiro.

Trata-se de fato de um avanço, mas as cenas vistas no domingo põem em evidência, igualmente, que o Brasil ainda é um país maciçamente subdesenvolvido, apesar de algumas de suas partes terem se transformado em emergentes nos últimos anos, para usar o jargão dos mercados.
Primeira evidência de subdesenvolvimento: o poder público conviveu durante 30 anos, pelo menos, com a ocupação pelo narcotráfico de um território abandonado pelo Estado. Aliás, nem era nem é o único espaço abandonado. Mesmo que a Rocinha volte a ser parte do Brasil, em vez de território livre da criminalidade, há inúmeros outros pontos do Rio e de outras cidades aos quais o poder público não chega.

A antropóloga Alba Zaluar, especialista no assunto, disse para a "Folha de S. Paulo", que o problema é que ações desse gênero só ocorrem na zona sul do Rio de Janeiro e "perto de áreas onde vão
acontecer eventos esportivos" (alusão á Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016).

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Sale el Estado, entra el Crimen Inc.

Por: | 14 de noviembre de 2011

Debe haber algo muy equivocado en un país que considera histórico que las autoridades hayan plantado la bandera brasileña en su propio territorio, en la favela de Rocinha exactamente, la más grande y más emblemática de Rio de Janeiro.

Se trata de un avance, es cierto, pero las escenas de domingo ponen en evidencia que Brasil es todavía un país subdesarrollado, pese a que, usando la jerga de los mercados, algunas de sus partes se hayan transformado en emergentes en los últimos años.

La primera evidencia del subdesarrollo: el país convivió con la ocupación del narcotráfico en un territorio abandonado por el Estado durante, por lo menos, 30 años. Por otra parte, no era ni es el único espacio abandonado. Aunque Rocinha vuelva a ser parte de Brasil en lugar de ser un territorio donde prevalecía la criminalidad,  hay muchos otros puntos de Rio y de otras ciudades donde el poder público no llega.

La antropóloga Alba Zaluar, especialista en el asunto, dijo al periódico Folha de S. Paulo que el problema es que las acciones de este género solo ocurren en la Zona Sur de Río -la más rica de la ciudad- y "cerca de áreas donde tendrán lugar los eventos deportivos" (alusión al Mundial de 2014 y a los Juegos Olímpicos de 2016).

La segunda señal de subdesarrollo: antes que de que el narcotráfico dominara Rocinha y otras favelas, ya había otro tipo de ocupación irregular: las personas de poca renta que no conseguían vivir en el asfalto amontonaban sus casas en las colinas de la ciudad, un escenario típico del Tercer Mundo.

La limpieza pública de Río hace aguas porque no logrará recolectar la basura en gran parte de Rocinha, aún después de la expulsión de los narcotraficantes, porque las casas están en callejuelas inaccesibles para los camiones. No estamos hablando de un punto remoto de Brasil sino del corazón del país, de una favela pegada a las míticas playas de Leblon e Ipanema.

El desinterés del Estado hizo que una vecina de la favela dijera al periódico Folha, ocultando su nombre, que el narcotráfico "pagaba el alquiler de quien necesitaba, le daba una caja con alimentos, ayudaba a guarderías. Quiero ver al Gobierno hacer lo mismo".

No es extraño, por lo tanto, que otra especialista, Silvia Ramos, escriba que "ahora empezarán las grandes dificultades", después de la recuperación de Rocinha. La ausencia del poder público permitió el desarrollo de una economía paralela, una especie de corporación del crimen.

Descubrieron tres centrales clandestinas de televisión de pago, lo que evidencia un tuerto espíritu emprendedor, pero en todo caso, emprendedor.

Había también un droga-entrega, a través del cual los traficantes de la favela llevaban cocaína, crack, marihuana y lo que fuera solicitado, a los consumidores en el asfalto. En este punto entra el debate sobre dejar de criminalizar el consumo de droga, tema en el que Brasil entra pero acaba huyendo sin cualquier conclusión. Salvador Camarena trató la cuestión en su blog.

Por fin, un segundo punto que nunca se debate hasta el final: la participación del Ejército en el combate del crimen organizado. La policía recurrió al Ejército y a sus vehículos tanto en el caso de Rocinha como meses atrás, en la favela del Complejo del Alemán, lo que en teoría es vetado por la Constitución.

Sin este refuerzo es razonable suponer que la policía por sí sola no tendría condiciones de invadir los reductos del crimen organizado, porque está infiltrada en ello. De acuerdo con el relato de Francho Barón para El País, "La ocupación contó con una escenografía propia de un Estado de guerra, aunque no fue necesario dar un solo tiro". De hecho, no fue necesario: las autoridades avisaron con 10 días de antelación sobre la ocupación de la favela, dando tiempo suficiente para que los  criminales huyesen.

Se espera que una potencia emergente arreste a sus bandidos, no que les avise para que puedan huir, ¿cierto?

 

Salvem a baleia, digo a Europa

Por: | 10 de noviembre de 2011

A presidente Dilma Roussef, em uma de suas intervenções na recente cúpula do G20 em Cannes, cobrou dos líderes europeus uma resposta contundente à crise, para preservar a construção europeia que definiu como "patrimônio democrático" da humanidade.
Dilma estava apenas repetindo conceito idêntico de seu antecessor e padrinho, Luiz Inácio Lula da Silva, que o expôs em seminário realizado em Madri, no mês passado.
Ambos estão absolutamente certos, pelo menos para o meu gosto. Pena que a liderança europeia, pressionada pela crise, esteja atropelando os mecanismos da democracia derrubando um governo após o outro, sem atentar muito para as formas e procedimentos usuais.
Está claro que o tempo da democracia é mais lento do que o tempo dos mercados. Lamentavelmente, são estes que estão predominando.
A lentidão da Europa em reagir incomoda particularmente tanto Dilma como seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não se cansam de queixar-se dela. Está longe o tempo que os índios aqui do remoto sul aceitávamos caladinhos as lições de europeus e norte-americanos, como já comentei em "post" anterior.
O que mais me impressiona é que autoridades europeias tinham, faz tempo, o diagnóstico correto da situação, mas não adotaram os remédios correspondentes.
Conto, a propósito, uma conversa de janeiro entre Jean-Claude Trichet, então presidente do Banco Central Europeu, e um grupo restrito de jornalistas que cobríamos o tradicional fórum de Davos. A conversa foi "off-the records", como se diz no jargão jornalístico para não mencionar a fonte, mas agora não há mais razão para ocultá-la.
Dizia Trichet naquela ocasião que o fantasma de uma nova crise, tão ou mais grave do que a que assolou o mundo em 2008/09, pairava sobre o planeta, uma vez que, segundo ele, a não resolvida hipertrofia do sistema financeiro representava um imenso risco.
Trichet estava convencido de que a crise de 2008/09 fora provocada pelo fato de que as autoridades não tinham ideia de como era e de como funcionava o novo sistema financeiro, principalmente o que se chamou "setor não bancário", fundamentalmente especulativo e mal regulado ou não regulado.
Para o presidente à época do BCE, o que trazia o risco para o presente é que os governos continuavam sem entender esse setor, ainda hipertrofiado. Daí a explodir de novo era uma questão de sorte ou de bom senso dos próprios banqueiros e investidores.
Vê-se, agora, que não houve nem sorte nem bom senso e o fantasma da crise materializa-se dia a dia. Sempre em Davos, sempre em janeiro, circularam números assustadores sobre a hipertrofia: na Alemanha, o sistema financeiro equivalia a 3,5 vezes a riqueza do país; na Irlanda, a oito vezes.
O volume de derivativos de todo tipo, que já era de imponentes US$ 100 trilhões em 2000, saltou para US$ 700 trilhões em 2007, na véspera da crise, e mesmo depois dela recuou pouco, para US$ 600 trilhões.
Dá mais ou menos dez vezes tudo o que o mundo produz de bens e serviços anualmente.
Claro que se trata de riqueza contábil, apostas em diferentes tipos de ativos, de juros a gado, de petróleo à cotação do amendoim.
Um segundo relato de que o diagnótico correto havia sido feito faz tempo aparece em recente reportagem do "New York Times", de autoria de Landon Thomas Jr. e Stephen Castle.
Nela, os autores contam que um relatório do FMI de meados de 2009 já informava que a Grécia não 
conseguiria pagar sua dívida. A liderança europeia levou, portanto, dois anos e algo mais para finalmente aceitar esse fato. Deu, portanto, todo o tempo do mundo e todas as oportunidades para que a crise se agravasse e para que os mercados - hipertrofiados, na análise de Trichet - agissem com uma desenvoltura tremenda.
Deixaram que a Europa chegasse à beira da dissolução de seu formato atual, um patrimônio da humanidade para os dois mais recentes líderes brasileiros. Triste. 

Salven las ballenas, digo, Europa

Por: | 10 de noviembre de 2011

En una de sus intervenciones en el G-20, en Cannes, la presidenta Dilma Roussef exigió de los líderes europeos una respuesta contundente a la crisis para preservar la construcción europea que es, según ella, un "patrimonio democrático" de la humanidad.

Dilma repetía el idéntico concepto expuesto por su antecesor y padrino, Luiz Inácio Lula da Silva, durante una ponencia el mes pasado en Madrid.

Ambos son correctos, por lo menos para mi. Es una pena que el liderazgo europeo, presionado por la crisis, esté atropellando los mecanismos de la democracia y haciendo caer un gobierno tras otro, sin considerar las formas y los procedimentos habituales.

El tiempo de la democracia es más lento que el de los mercados, y son estos los que lamentablemente predominan.

La lenta reacción de Europa molesta tanto a Dilma como a su ministro de la Hacienda, Guido Mantega, y no paran de quejarse por ello. Ya ha pasado el tiempo en el que los indios del sur remoto aceptábamos callados las lecciones de los europeos y estadounidenses, como ya comenté en una entrada anterior.

Lo que más me impresiona es que las autoridades europeas tenían el diagnostico de la situación desde hace tiempo, pero no administraron la medicina adecuada.

Os cuento una conversación de enero, entre el entonces presidente del Banco Central Europeo, Jean-Claude Trichet, y un pequeño grupo de periodistas que cubríamos Davos. La conversación fue off the records, como se dice en la jerga periodística para no mencionar la fuente, pero ahora ya no hay razones para ocultarla.

En aquella ocasión, Trichet decía que el fantasma de una nueva crisis, igual o más grave que la de 2008/09, se cernía sobre el planeta. Según él, la mal resuelta hipertrofia del sistema financiero representaba un inmenso riesgo.

Trichet estaba convencido de que la crisis de 2008/09 había sido provocada por las autoridades que no tenían ni idea del funcionamiento del nuevo sistema financiero, principalmente aquellos a los que llamó de "sector no bancario", especulativo y mal regulado.

Para el expresidente del BCE, los gobiernos representaban un riesgo para la actualidad porque seguían sin comprender este sector, todavía hipertrofiado. De ahí a una nueva burbuja era cuestión del azar o del sentido común de los propios banqueros e inversores.

Ahora se ve que no hubo ni suerte ni sentido común. El fantasma de la crisis se hace real a cada día. Cada año, siempre en Enero, siempre en Davos, circulaban números asombrosos sobre la hipertrofia: en Alemania, el sistema financiero equivalía a 3,5 veces la riqueza del país; en Irlanda, ocho.

El volumen de derivados de todo tipo saltó de unos imponentes 100 trillones de dólares en 2000 a 700 trillones en 2007, en vísperas de la crisis. Después de ella se redujo un poco, a 600 trillones.

Esto representa más o menos diez veces todo lo que el mundo produce entre bienes y servicios al año. Claro que es una riqueza contable, apuestas en distintos tipos de activos, que van desde los intereses al precio del ganado, del petróleo al valor del maní.

Un reciente reportaje de New York Times, de Landon Thomas Jr. e Stephen Castle, es un segundo relato de que ya hacía tiempo que el diagnostico correcto estaba hecho.

Los autores cuentan que un reporte del FMI de 2009 informaba que Grécia no podría pagar su deuda. El liderazgo europeo llevó dos años y algo más para finalmente aceptar este hecho. Dio el tiempo y todas las oportunidades para que la crisis se agravara y para que los mercados hipertrofiados actuaran con gran soltura.

Dejaron que Europa, un patrimonio de la humanidad para los recientes líderes brasileños, llegase al borde de su disolución. Triste.
Traducción: Beatriz Borges

Rio, mas pode chamar de Cabul

Por: | 07 de noviembre de 2011

Notícia da primeira página de "El País" nesta segunda-feira:
"La insurgencia afgana, y la mala suerte, acabaron ayer con la vida del sargento primeiro Jooaquín Moya Espejo, 
cordobés, de 35 años. Un proyectil de arma ligera disparado a gran distancia le alcanzó en el tórax tras colarse por un hueco del chaleco anti-balas".

Notícia da primeira página da "Folha de S. Paulo" nesta segunda-feira:
"O cinegrafista Gelson Domingos, 46, da TV Bandeirantes, foi morto com um tiro de fuzil ontem [domingo] num confronto entre policiais e traficantes na Favela de Antares, na zona oeste do Rio. Domingo, que usava colete à prova de bala, acompanhava PMs (Policiais Militares) do Batalhão de Choque quando foi atingido no tórax".

Troquem-se os nomes - e, por extensão, as profissões - e a notícia fica praticamente idêntica.
A única diferença está dada pelo fato de que todo mundo sabe que há uma guerra no Afeganistão e que soldados, quando vão à guerra, correm risco de vida. No Brasil, pouco gente - menos ainda no poder público - admite que há uma guerra de baixa intensidade entre o Estado e o crime organizado.
É sintomático que meu amigo Rosental Calmon Alves, um extraordinário repórter hoje transformado em grande guru do jornalismo pela internet (Univesidade do Texas), tenha escrito, no Facebook, ao saber da morte de Domingos, que o cinegrafista, embora usasse colete à prova de bala, não estava devidamente protegido.
A anomalia, portanto, passa a ser a deficiência no uso de um instrumento próprio para a guerra, não o fato de que alguém seja obrigado a usar tal instrumento sem que haja uma guerra declarada - e no meio de uma cidade teoricamente civilizada.
Para reforçar a semelhança entre as duas mortes, convém lembrar que tanto o Taleban, no Afeganistão, quanto o crime organizado, no Rio de Janeiro, controlam zonas em que o Estado não consegue penetrar.
Que há uma guerra no Brasil, dão prova os números da criminalidade: o  
Brasil tem a terceira maior taxa de homicídios na América do Sul, com 22,7 casos para cada 100 mil habitantes. Acima de 10/100 mil já é considerado epidemia.
O Brasil fica atrás apenas da Venezuela (49) e da Colômbia (33,4), este sim um país vítima de uma guerra civil há pelo menos meio século.
Os dados fazem parte do Estudo Global de Homicídios 2011, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc).
Em números absolutos, o Brasil, por ser o país mais populoso da América do Sul, lidera o ranking de homicídios, com 43.909 registros (dados de 2009, fornecidos pelo Ministério da Justiça).
O que torna ainda mais angustiante na comparação entre as duas mortes é o fato de que os estrangeiros podem, ao menos, abandonar o Afeganistão, como o farão em breve as tropas espanholas (e dos demais países envolvidos no país). Já os brasileiros não podem fugir do próprio país. 
 
 
 
 

Río, pero puedes llamarle Kabul

Por: | 07 de noviembre de 2011

La noticia de la primera página de El País este lunes:

"La insurgencia afgana, y la mala suerte, acabaron ayer con la vida del sargento primero Joaquín Moya Espejo, cordobés, de 35 años. Un proyectil de arma ligera disparado a gran distancia le alcanzó en el tórax tras colarse por un hueco del chaleco anti-balas".

La noticia de la primera página de Folha de Sao Paulo  este lunes:

"El cámara Gelson Domingos, 46, del canal de televisión Bandeirantes, murió ayer [domingo] tras un tiro de fusil durante un enfrentamiento entre policías y traficantes en la Favela de Antares, en la zona oeste de Río. Domingos usaba un chaleco anti-balas y acompañaba a los policías militares del Batallón de Choque, cuando fue alcanzado en el tórax".

La noticia queda prácticamente idéntica si cambiamos los nombres y las profesiones. La única diferencia está en que todo el mundo lo sabe que hay una guerra en Afganistán, y que los soldados corren peligro de muerte cuando van a la guerra. En Brasil pocos admiten, y menos en el poder público, que hay una guerra de baja intensidad entre el Estado y el crimen organizado.

Es sintomático que mi amigo Rosental Calmon Alves, un extraordinario reportero hoy trasformado en gran gurú del periodismo por internet (Universidad de Tejas), cuando supo de la muerte de Domingos, escribió en Facebook que aunque el cámara usase el chaleco anti-balas, no estaba debidamente protegido.

La anomalía, por lo tanto, pasa a ser la deficiencia en el uso de un instrumento propio de la guerra y no en el hecho de que alguien sea obligado a usar un instrumento sin que haya una guerra declarada y en el medio de una ciudad teóricamente civilizada.

Para reforzar la similitud entre las dos muertes conviene recordar que tanto los talibanes en Afganistán, como el crimen organizado en Río, controlaban zonas en las que el Estado no conseguía penetrar.

Las cifras de criminalidad son la prueba de que hay una guerra en Brasil:

Brasil tiene la tercera mayor tasa de homicidios en Sudamérica, con 22,7 casos para cada 100.000 habitantes. Esto se considera epidemia cuando supera los 10/100.000.

Brasil solamente queda por detrás de Venezuela (49) y Colombia (33,4), un país víctima de una guerra civil desde hace por lo menos medio siglo.

Los datos están entre los resultados del Estudio Global de Homicidios de 2011 de la Oficina de las Naciones Unidas contra la Droga y el Delito (UNODOC).

Brasil, por ser el país más poblado de Sudamérica, lidera el ranking de homicidios con 43.909 registros (datos del Ministerio de Justicia, 2009). 

Lo más angustioso en la comparación entre las dos muertes es que los extranjeros pueden, por lo menos, abandonar Afganistán, como harán en breve las tropas españolas (y las de los demás países). Pero los brasileños no pueden huir de su propio país.

 Traducción: Beatriz Borges

O furacão Lula, a retraída Dilma

Por: | 04 de noviembre de 2011

Foi discreta, quase imperceptível, a participação do Brasil na cúpula do G20. Dá até a impressão de ter sido devidamente captada na foto oficial, em que a presidente Dilma 
Rousseff aparece no cantinho, o que é apenas fruto do protocolo que coloca ao centro os governantes que estão há mais tempo no cargo. 
De todo modo, é pouco provável que algum anfitrião de uma futura cúpula diga de Dilma Rousseff o que Nicolas Sarkozy disse de Luiz Inácio Lula da Silva, antecessor e padrinho da atual presidente. Depois de pedir a Dilma que transmitisse a Lula os votos de pronto e completo restabelecimento, o presidente francês emendou: "Nós o amamos". 
É bom deixar claro que a diferença entre Lula e Dilma não é por conta de um defeito da atual presidente. Trata-se apenas de personalidades diferentes: Lula foi um furacão na cena internacional, Dilma é retraída, contida.
Quando amigos me pedem que fale mais das diferenças, costumo dizer, brincando, que Lula beijava na boca até governantes estrangeiros que havia acabado de conhecer. Dilma não beija nem na bochecha, conforme a saudação protocolar. Estende a mão e está cumprido o seu dever.
Diferenças de estilo à parte, há um outro poderoso motivo para a discreta participação brasileira no G20 de Cannes: o Brasil não é nem parte do problema nem parte da solução.
Não é parte do problema porque não está naufragando em dívidas ou déficit público, embora tenha lá seus problemas com ambos. Mas tampouco é parte da solução porque, ao contrário da China, por exemplo, seu crescimento está se reduzindo este ano: dos 7% de 2010 vai passar para a metade, pouco mais ou menos, o que parece muito, se olhado da Europa, mas é muito pouco para as necessidades de uma economia emergente.
A verdade é que os 7% de 2010 deveriam ser a norma, quando foram apenas a exceção.
Sem um crescimento forte, o Brasil continuará na situação anômala em que apareceu esta semana em mais uma rodada do campeonato internacional de estatísticas: passou a ser a sexta economia do mundo, como consequência do magro crescimento dos países europeus, mas é apenas o 84.o colocado no ranking de Desenvolvimento Humano.
Traduzindo: é um corpo rico com uma qualidade de vida vergonhosa.
Essa anomalia acaba inexoravelmente se refletindo na participação brasileira em foros internacionais. 

El huracán Lula, la retraída Dilma

Por: | 04 de noviembre de 2011

La participación de Brasil en el G-20 fue discreta, casi imperceptible. Es la impresión que queda de la foto oficial, donde la presidenta Dilma Rousseff aparece en la esquina, aunque es consecuencia del protocolo que sitúa en el centro a los gobernantes que llevan más tiempo en el cargo.

De todos modos, es poco probable que un anfitrión del G-20 diga a Dilma Rousseff lo que Nicolas Sarkozy dijo de Luiz Inácio Lula da Silva, el antecesor y padrino de la actual presidenta. Después de pedir a Dilma que trasladara a Lula sus deseos de que se restablezca rápidamente, el presidente francés completó: "Le queremos".

La diferencia entre Lula y Dilma no es ningún defecto de la actual presidenta, que quede claro. Son personalidades distintas: Lula fue un huracán en la escena internacional, Dilma es retraída, contenida.

Cuando mis amigos me piden que hable más sobre las diferencias entre ambos, digo en broma que Lula daba picos a gobernantes extranjeros que acababa de conocer. Dilma no les besa ni en la mejilla, de acuerdo con el saludo protocolario. Estrecha sus manos y su deber está cumplido.

Hay otra razón para la discreta participación brasileña en el G-20 en Cannes, aparte de la diferencia de estilos: Brasil no es parte del problema ni parte de la solución.

No es parte del problema porque no está ahogándose en deudas o déficit público, aunque tenga problemas en ambos campos. Tampoco es parte de la solución porque su crecimiento se redujo este año, al contrario de lo que ocurre en China. Del 7% de 2010 pasará más o menos a la mitad este año, lo que parece mucho si miramos desde Europa. Pero es muy poco para las necesidades de una economía emergente. La verdad es que crecer un 7%, como en 2010, debería ser la norma y no la excepción.

Sin un fuerte crecimiento, Brasil seguirá en una situación anómala como la que se ha registrado esta semana, en una ronda más del campeonato internacional de estadísticas: se convirtió en la sexta economía del mundo, por el escaso crecimiento de los países europeos. En cambio, está en el puesto 84 en el ranking de Desarrollo Humano. Traduciendo: Es un cuerpo rico con una vergonzosa calidad de vida.

Esta anomalía se refleja inexorablemente en la participación brasileña en foros internacionales.
Traducción: Beatriz Borges

El País

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