Clovis Rossi

Sobre el autor

Clovis Rossi. 48 años de periodismo, columnista del diario "Folha de S. Paulo" y del portal Folha.com, ya ejerció todas las funciones posibles en el periodismo, de reportero a editor-jefe, ganador de los premios Maria Moors Cabot, de la Universidad Columbia (NY) y de la Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, dirigida por Gabriel García Márquez, los dos por el conjunto de la obra.

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Brasil, capital Miami

Por: | 29 de diciembre de 2011




Fazer a América era o sonho dos imigrantes italianos, dos quais sou descendente, no início do século passado. Hoje, início do século 21, dá para dizer que o sonho dos brasileiros, descendentes ou não de imigrantes, é o de comprar a América.
Não acredita? Veja o que diz recente reportagem de "The New York Times":
"Os brasileiros estão visitando o sul da Flórida em massa e gastando milhões de dólares em condomínios de férias, roupas, jóias, móveis, carros e arte, itens, todos, que são muito menos caros do que no Brasil".
Números: só a American Airlines tem 52 voos por semana para Miami, partindo de cinco cidades brasileiras, e está pedindo mais rotas. Dá, portanto, mais de sete voos a cada dia, número superior às ligações aereas entre, digamos, São Paulo e Manaus ou Fortaleza.
Nos primeiros nove meses deste ano, estima-se que 1,1 milhão de brasileiros gastaram US$ 1,6 bilhão na Flórida, um aumento de 60% na comparação com 2010.
A atração da Flórida não é nova para brasileiros. A classe média sempre teve Miami como seu parque de diversões preferido. Depois, elegeu a cidade como seu shopping center mais querido. A novidade agora é a compra em massa de imóveis, tema que a revista "IstoÉ" já abordara no início do ano, em reportagem ilustrada pelas fotos aqui reproduzidas.

A explicação é fácil: o real brasileiro valorizou-se 25% ante o dólar, nos últimos dez anos, o que torna toda compra em dólares comparativamente mais barata.
É o que disse ao New York Times Claudio Coppola di Todaro, investidor em hedge funds, que acaba de comprar um condomínio em Miami e outro em Nova York. "Viemos a Miami para investir porque em meu país os imóveis são muito caros", informou.
Há outro motivo para transformar Miami em um imã poderoso: a segurança. No Brasil, a violência é um sério problema em todas as cidades grandes e médias, exatamente aquelas em que se concentra a riqueza.
Já em Miami, novos e velhos ricos "podem usar relógios caros e dirigir carros conversíveis, e ninguém vai cortar seu braço por uma peça de joalheria", disse Alexandre Piquet, advogado de uma imobiliária da família.

Mas, atenção, não pense que todos os brasileiros fizeram de Miami seu paraíso. Continua sendo território reservado aos mais ricos, de que dá prova o fato de que os visitantes de 2010 (1,2 milhão) gastaram cada um, em média, US$ 4.940. 



Quem ganha salário-mínimo (equivalente hoje a US$ 288) poderia viver 17 meses com que os mais ricos torram em temporadas relativamente curtas na Flórida.
É apenas uma amostra mais da obscena desigualdade de renda que marca o Brasil, por mais que a propaganda oficial diga que ela está diminuindo.
Há quem tema que esse boom imobiliário brasileiro nos Estados Unidos acabe implodindo. Igor Cornelsen, especialista em investimentos, afirma já ter visto esse filme antes. "Na próxima crise cambial [ou seja, uma valorização do dólar], a manutenção desses apartamentos e o custo dos respectivos condomínios ficam proibitivos. As passagens de avião para toda a família também, e todos estes imóveis serão liquidados com prejuízo". 
Cornelsen lembra que, entre 1994 e 1998, "os brasileiros compraram imóveis em Miami, mas, entre 1999 e 2003, foram obrigados a vender com prejuízo".

Emenda: "Todo este desperdício de capital poderia estar desenvolvendo o litoral do nordeste e dando empregos para brasileiros.
Moeda valorizada tem um custo terrível em termos de desenvolvimento e de empregos de qualidade".

Brasil, capital Miami

Por: | 29 de diciembre de 2011

El sueño de los inmigrantes italianos era hacerse con las Américas. Yo soy uno de estos descendientes, del inicio del siglo pasado. Hoy, al principio del siglo XXI, se puede decir que el sueño de los brasileños es el mismo, sean descendientes de inmigrantes o no. ¿No lo crees? Mira lo que dice el reciente reportaje del periódico estadounidense The New York Times:

"Los brasileños están visitando el sur de Florida masivamente y gastando millones de dólares en condominios vacacionales, ropas, joyas, inmuebles, coches y arte, que son bastante más baratos que en Brasil".

Números: American Airlines tiene 52 vuelos semanales para Miami, que salen de cinco ciudades brasileñas. Y está buscando más rutas. Son más de siete vuelos diarios, un flujo superior a otras conexiones dentro del propio país, como la de São Paulo a Manaus o a Fortaleza.

Se estima que 1,1 millón de brasileños gastaron 1,6 billones de dólares en Florida durante los primeros nueve meses de este año. Un aumento de un 60%, comparado con 2010.

La atracción de Florida no es nueva para los brasileños. Miami siempre fue el parque de atracciones favorito de la clase media brasileña. Después, ellos eligieron la ciudad para su centro comercial más querido. La novedad ahora es la compra de inmuebles en masa, tema que la revista IstoÉ ya abordaba a principios del año (las fotos de este post son de aquél reportaje).
La explicación es fácil: frente al dólar, el real brasileño se valorizó un 25% en los últimos diez años. Eso hace que toda la compra en dólares sea comparativamente más barata que en reais.

El inversor brasileño en fondos de cobertura, Coppola di Todaro, dijo al periódico The New York Times que acaba de comprar un condominio en Miami y otro en Nueva York. "Hemos venido a Miami para invertir porque en mi país los inmuebles son muy caros", informó Todaro.

La seguridad es otra razón para trasformar Miami en un imán poderoso. En Brasil, la violencia es un serio problema en todas las grandes y medianas ciudades, exactamente en aquellas donde se concentra la riqueza.

En Miami, nuevos y viejos ricos "pueden usar relojes caros, conducir coches descapotables y usar joyas sin que nadie te corte el brazo", dijo Alexandre Piquet, abogado de una inmobiliaria familiar.

Pero atención: no pienses que todos los brasileños hicieron de Miami su paraíso. Sigue siendo un territorio reservado a los más ricos. Una prueba de esto es el hecho que los visitantes de 2010 (1,2 millón) gastaron en media 4.940 dólares cada uno.
Los que ganan un sueldo-mínimo en Brasil (que equivale a 288 dólares) podrían vivir por 17 meses con lo que los más ricos gastan en cortas temporadas en Florida.

Esta es solamente una muestra más de la obscena desigualdad de renta que marca Brasil, aunque la propaganda oficial diga que esta desigualdad esté disminuyendo.

Algunos temen que este boom inmobiliario brasileño en los EE UU termine en implosión. Igor Cornelsen, especialista en inversiones, afirma que ya vio esta película. "En la próxima crisis del cambio (la apreciación del dólar), el mantenimiento de estos pisos y el coste de la comunidad quedarán prohibitivos. Los billetes de avión para toda la familia también, y todos estos inmuebles serán vendidos con pérdidas". Cornelsen recuerda que entre 1994 y 1998 "los brasileños compraron inmuebles en Miami, pero entre 199 y 2003, fueron obligados a venderlos con pérdidas".
Y añade: "Todo este desperdicio de capital podría desarrollar el litoral de la región nordeste y propiciar empleos a brasileños. El desarrollo y los empleos de calidad son los perjudicados por una moneda valorizada".

Traducción: Beatriz Borges

O Brasil cresce. E amadurece?

Por: | 27 de diciembre de 2011



Há cerca de três anos, Larry Rohter, então correspondente do New York Times no Brasil, escreveu um livro com o título "Deu no New York Times". Era uma coleção dos principais assuntos de que havia tratado em seu período como correspondente, mas o título era também uma brincadeira com a mania dos brasileiros de se impressionar muito mais com o que se publica no exterior a respeito do país - especialmente se escrito em inglês - do que com o que sai em português na mídia local.
Ex-colônias provavelmente têm, todas, essa característica de um certa genuflexão diante da metrópole, mesmo de metrópoles, caso dos Estados Unidos, que não foram a colonizadora original, embora, nos tempos contemporâneos, imponham um evidente colonialismo cultural.
Por isso mesmo, quando um jornal em inglês, no caso o Guardian, recolheu avaliação de um centro britânico de estudos segundo o qual o Brasil ultrapassara o Reino Unido e se tornara a sexta economia do planeta, me preparei mentalmente para ver um festival de ufanismo, para ver o país enrolar-se na bandeira e festejar o progresso.

Felizmente, me enganei. Foi notícia, claro, como não poderia deixar de ser. Até El País, que não tem sede nem no país ultrapassado nem no país promovido, deu a informação, discretamente mas deu.
A principal fonte de informação dos brasileiros - o Jornal Nacional, o telejornal das 20h30 da Rede Globo - também reproduziu a notícia, mas cuidou de deixar bem claro que um país com uma população enorme como o Brasil (quase 200 milhões) não é mais rico que um país com população bem menor, como o Reino Unido, só porque a soma dos bens e serviços por ele produzido é maior.
Dividido pela população, o PIB inglês é mais ou menos o triplo do brasileiro, cuidou também de ressaltar Gustavo Patu, na Folha de S. Paulo, ele que é um dos mais lúcidos analistas das contas brasileiras. Mas Patu não desprezou o sexto lugar. Escreveu: "Não é irrelevante, portanto, a projeção de que o PIB brasileiro deverá superar neste ano o do Reino Unido e proporcionar ao país o status de sexta maior economia mundial".
E explicou: "Embora facilitada pela crise europeia, a ascensão do país não é fortuita. Assim como os outros gigantes emergentes, caso de China, Índia e Rússia, o Brasil escalou a hierarquia da geopolítica internacional quando voltou a exibir um processo mais consistente de crescimento".
Da mesma forma, Vinicius Torres Freire, um dos mais competentes colunistas econômicos do jornalismo brasileiro, lembrou que o PIB per capita do Brasil "ainda anda lá pelo 70.o lugar. Sabemos que somos mais pobrinhos que os britânicos".
Sabemos também que, em matéria de desenvolvimento humano, o Brasil ocupa um vergonhoso 84.o lugar, posto ainda mais vergonhoso quando se torna a sexta economia do planeta.
O único ufanismo partiu do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem, em 20 anos, o Brasil atingirá o padrão europeu de hoje. "Otimismo exagerado", rebateu Patu, para acrescentar: "No ritmo atual, só depois de 2040 a renda per capita brasileira atingirá o padrão britânico de hoje -para não falar da qualidade da educação, da saúde, das instituições".
Tudo somado, tem-se que o Brasil não apenas está crescendo de forma mais consistente como está amadurecendo o suficiente para não entrar nem em depressão nem em euforia quando alguma coisa sobre ele, negativa ou positiva, aparece em inglês - ou qualquer outro idioma.

Se essas duas características realmente se mantiverem, esse menino chamado Brasil ainda irá longe.

Brasil crece. ¿Y madura?

Por: | 27 de diciembre de 2011

Hace tres años, el entonces corresponsal de The New York Times en Brasil, Larry Rohter, escribió el libro "Salió en el New York Times". Era una colección de los asuntos centrales de su periodo como corresponsal. El título jugaba también con la manía de los brasileños de impresionarse con lo que se publicaba sobre Brasil en el extranjero, especialmente si estuviera escrito en inglés. Les impresionaba más lo que se publicaba en inglés que lo que salía en portugués en los medios locales.

Probablemente todas las excolonias tienen la característica de arrodillarse frente a la metrópoli, igual que cuando no lo es, como en el caso de EE UU, que no fue colonizador pero hoy en día impone un evidente colonialismo cultural.

Yo me preparé mentalmente para ver un festival de jactancia cuando el periódico inglés The Guardian publicó la evaluación de un centro de estudios británico que decía que Brasil había desplazado al Reino Unido y que ahora se tornaba la sexta economía del planeta.
Afortunadamente, me equivoqué.  Eso fue noticia, por supuesto no podría dejar de serlo. Incluso El País dio la información, aunque no tuviese sucursales ni en en Reino Unido ni en Brasil. Lo hizo discretamente, pero la noticia la dió.

La principal fuente de información de los brasileños, el telediario de las 20:30 Jornal Nacional, de Rede Globo, reprodujo la noticia. El noticiero dejó claro que Brasil no es más rico que Reino Unido solo porque la suma de los bienes y servicios producidos por él sean mayores. Tampoco es más rico por ser un país con una enorme población, casi 200 millones, frente a Reino Unido, que tiene una población menor.

Uno de los más lucidos analistas de las cuentas brasileñas, Gustavo Patu, del periódico Folha de S. Paulo, resaltó que el PIB inglés es aproximadamente el triple del brasileño si lo dividimos entre la población. Patu no depreció que Brasil estuviera en la  sexta posición. Escribió: "Por lo tanto, no es irrelevante la proyección de que el PIB brasileño deberá superar el de Reino Unido este año y proporcionar al país el status de sexta mayor economía mundial". Y explicó: "Aunque la ascensión del país haya sido facilitada por la crisis europea, no es casual. Así como otros gigantes emergentes, como China, India y Rusia, Brasil escaló la jerarquía de la geopolítica internacional cuando volvió a exhibir un crecimiento más consistente".

Vinicius Torres Freire, uno de los columnistas de economía más competentes del periodismo brasileño, recordó de la misma manera que el PIB per capita de Brasil "Aún está alrededor de la posición 70. Sabemos que somos más pobretones que los británicos".

Sabemos también que Brasil ocupa un vergonzoso 84 lugar en desarrollo humano, lugar más vergonzoso todavía cuando se transformó en la sexta economía del planeta.

La única presunción vino del ministro de Hacienda, Guido Mantega. El ministro cree que en 20 años Brasil alcanzará el patrón europeo de hoy. "Optimismo exagerado", rebatió Patu, y añadió: "Con el ritmo actual, la renta per capita brasileña alcanzará el patrón británico de hoy solamente después de 2040. Sin hablar de la calidad de la educación, salud e instituciones".

Brasil no solo está creciendo de forma más consistente, sino que también está madurando lo suficiente para no entrar en depresión ni en euforia cuando se habla de él, negativa o positivamente, en inglés o en cualquier otro idioma.

Si estas dos características se mantienen realmente, este niño llamado Brasil aún irá lejos.

Traducción: Beatriz Borges

A toga veste caixa preta

Por: | 21 de diciembre de 2011




Faz uns três meses, Eliana Calmon, a corregedora nacional da Justiça brasileira, produziu uma frase eloquente a respeito das dificuldades para cumprir sua missão de investigar juízes: "O Tribunal de Justiça de São Paulo só vai se deixar ser investigado no dia em que o sargento Garcia prender o Zorro", disparou.
Mal sabia ela que, às vésperas do Natal, o sargento Garcia, se tomado como sinônimo de agente da lei, veria fechadas todas as portas para investigar não só o tribunal de São Paulo, mas todos os demais.
Acontece que o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, esvaziou os poderes que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tem para investigar juízes acusados de praticar irregularidades, aqueles de quem Eliana Calmon diz serem "bandidos escondidos atrás da toga".


A corregedora Eliana Calmon

Em medida de caráter provisório, Marco Aurélio decidiu que o conselho não pode investigar e punir juízes sob suspeita antes que os tribunais em que eles atuam nos Estados tomem a iniciativa de examinar sua conduta.
A liminar concedida por Marco Aurélio ainda será submetida à análise do plenário do Supremo, que, no entanto, já entrou em recesso e só volta das férias em fevereiro. Com isso, as 54 investigações em andamento ficam paralisadas até que o STF se manifeste.
Como a Justiça brasileira é das instituições mais corporativas de um país em que as corporações estendem usualmente um manto protetor sobre seus integrantes, o razoável é supor duas coisas, ambas negativas: primeiro, o plenário do Supremo dificilmente modificará a decisão liminar de Marco Aurélio. Segundo, muito dificilmente os tribunais regionais farão investigações realmente rigorosas e estabelecerão punições para colegas envolvidos em irregularidades.
Desse entranhado corporativismo, dá prova decisão de seu colega de STF, Ricardo Lewandowski, de suspender liminarmente inspeções do órgão de controle do Judiciário sobre ganhos de servidores, magistrados e seus familiares em 22 tribunais do país.
As apurações haviam começado este ano, motivadas por informações emitidas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do ministério da Fazenda que monitora movimentações financeira atípicas.


O ministro Lewandowski

Agora, a colunista Mônica Bergamo, da "Folha de S. Paulo", informa que Lewandowski está entre os magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo que receberam pagamentos que estavam sob investigação, pagamentos do tempo em que era desembargador no TJ de São Paulo, justamente aquele que, segundo Eliana Calmon, só autorizaria investigações quando o sargento Garcia prendesse o Zorro.
Com as decisões de ministros do Supremo, o sargento Garcia fica ainda mais ridicularizado do que na ficção e a Justiça brasileira transforma-se definitivamente em caixa preta.

La toga viste caja negra

Por: | 21 de diciembre de 2011

Tres meses atrás, la inspectora nacional de Justicia, Eliana Calmon, dijo una frase elocuente sobre las dificultades de investigar a jueces: "El Tribunal de Justicia de São Paulo dejará de ser investigado el día en que el sargento García detenga al Zorro".

Ella no sabía que a vísperas de Navidades el sargento García encontraría todas las puertas cerradas para investigar, no solamente el Tribunal de São Paulo, sino también todos los demás.

El ministro Marco Aurélio Mello, del Tribunal Supremo, quitó los poderes del Consejo Nacional de Justicia para investigar a los jueces acusados de practicar irregularidades. Los mismos que Eliana Calmon denomina "bandidos escondidos debajo de la toga".

Pie de foto:  La inspectora Eliana Calmon

Marco Aurélio decidió, provisionalmente, que el consejo no podrá investigar o castigar a los jueces sospechosos antes de que los tribunales en los que ellos actúan decidan examinar su conducta.

La orden judicial dada por Marco Aurélio se someterá al pleno del Supremo, que ya entró en receso y volverá de vacaciones solamente en febrero. Con esto, 54 investigaciones estarán paralizadas hasta que el Supremo se manifieste.

La Justicia brasileña es una de las instituciones más corporativas del país en el que las corporaciones extienden una manta protectora sobre sus integrantes. Por ello, es razonable suponer dos consecuencias, ambas negativas: primero, el pleno del Supremo difícilmente cambiará la orden judicial dada por Marco Aurélio; segundo, los tribunales regionales difícilmente investigarán con rigor o penalizarán compañeros envueltos en irregularidades.

Este arraigado corporativismo también se nota en la decisión del compañero de Marco Aurélio en el Supremo, Ricardo Lewandowski, que suspendió, a través de una orden judicial, las inspecciones del órgano que controla las ganancias de funcionarios, magistrados y sus familiares de 22 tribunales del país.

Las investigaciones comenzaron este año, motivadas por informaciones recibidas a través del Consejo de Control de Actividades Financieras (Coaf), una célula del ministerio de Hacienda que controla los movimientos financieros atípicos. 

Pie de foto: El ministro Lewandowski

La columnista Mônica Bergamo, del periódico Folha de S. Paulo, informó que Lewandowski está entre los magistrados del Tribunal de Justicia de São Paulo que cobraron sueldos que estaban bajo investigación. Estos sueldos son del tiempo en el que Lewandowski, aquél que Eliana Calmon dijo que solamente autorizaría investigaciones cuando el sargento García detuviese al Zorro, era el juez del Tribunal de Justicia de São Paulo.

Con las decisiones de los ministros del Supremo, el sargento García queda más ridículo que en la ficción y la Justicia brasileña se transforma, en definitiva, en una caja negra.

Traducción: Beatriz Borges

Vira-lata, de novo

Por: | 18 de diciembre de 2011



Octavio Frias de Oliveira, que foi o "publisher" da "Folha de S. Paulo" até morrer, em 2007, aos 94 anos, usava sempre uma frase que estou começando, pela idade, a incorporar ao meu próprio vocabulário: "Vivi o suficiente para ver tudo acontecer e o seu contrário também".
Essa frase me vinha sempre à cabeça durante os dias que antecederam o jogo do Barcelona com o Santos pelo Mundial de Clubes. Explico: sou de um tempo em que, desde a conquista de dois títulos mundiais (1958 e 1962), o futebol brasileiro não tinha medo de ninguém, especialmente de equipes europeias. Estávamos todos convencidos de que o melhor futebol do mundo era o brasileiro.
E era mesmo, convenhamos, sem patriotismo barato. Único país a ganhar cinco mundiais, único a participar de todas as fases finais da Copa do Mundo, o país que mais tempo ficou no primeiro lugar no "ranking" da FIFA.
Por isso, chocava ouvir os comentários sobre Santos x Barcelona. A sensação que transmitia o noticiário, no rádio, nos jornais, na TV, era a de que o Santos só poderia vencer o Barcelona se ocorresse um milagre - sensação exatamente à inversa a que os brasileiros mantivemos durante muitíssimos anos. A rigor, até o Mundial da Alemanha, quando o fracasso de uma seleção de astros como Ronaldo "Fenômeno", Ronaldinho, Robinho e Kaká destruiu a auto-confiança no país do futebol.
Ou, posto de outra forma, o Brasil voltava, no futebol (e só no futebol, que fique claro), ao que o teatrólogo Nélson Rodrigues, talvez o melhor intérprete da alma brasileira, chamava de "complexo de vira-lata" (ou "perro callejero" em espanhol).
Antes mesmo de a bola começar a rolar, podia-se agarrar com as mãos o sentimento de inferioridade, exceto, é claro, nos patriotas mais exagerados.
No campo, a mesma coisa. O comentarista Maurício Noriega, da Sportv, o canal fechado que transmitiu a partida, dizia que o Santos, em vez de respeito ao Barcelona, como era devido, tinha medo do adversário, o que, como sabe qualquer psicólogo, mesmo de mesa de bar, paralisa o possuidor.
O que talvez atenue o complexo de vira-lata é que o Barcelona, sempre segundo Noriega, "é um time de outro planeta". Como "culé" desde o tempo em que o Barça era deste planeta, concordo plenamente. O complexo seria, pois, ante algo contra o que mortais comuns não podem competir.
Mesmo Neymar, o único jogador do Santos que a crítica esportiva brasileira considera capaz de, mais cedo que tarde, passar a pertencer a outro planeta, concedia ao final dos 4 a 0: "Tomamos uma aula de futebol".


Pois é, jamais imaginei que um jogador brasileiro pudesse dizer algo assim de um clube europeu. Ainda mais em se tratando de quem, durante os dias prévios, o jornalismo esportivo especulava se era ou seria logo melhor que Messi.
Enquanto emerge (lentamente, mas emerge) na economia e cresce em auto-estima, o Brasil afunda (não tão lentamente) no futebol. Parece óbvio que há alguma coisa de muito errada neste campo.

Perro callejero, otra vez

Por: | 18 de diciembre de 2011

Octavio Frias de Oliveira, el que fue editor del periódico Folha de S. Paulo hasta su muerte, a los 94 años en 2007, siempre decía una frase que yo empiezo a incorporar a mi propio vocabulario, por la edad: "Viví lo suficiente para ver todo lo acontecido y lo contrario también".

Esa frase me venía a la mente durante los días previos al partido de Barcelona contra Santos, en el Mundial de Clubes. Me explico: soy de una época en la que el fútbol no tenía miedo a nada y mucho menos a equipos europeos, desde la conquista de Santos con sus dos títulos mundiales (1958 y 1962). Todos estábamos convencidos de que el mejor fútbol del mundo era el brasileño.

Sin patriotismo barato, sí era el mejor fútbol del mundo. Fuimos el único país que ganó cinco mundiales, el único en participar en todas las finales de mundiales de fútbol y el que más tiempo quedó en primer lugar en el listado de la FIFA. Por esto los comentarios sobre Santos-Barcelona sorprendían. La sensación trasmitida por las noticias en la radio, en los periódicos y en la televisión era que Santos solamente podría vencer al Barcelona si ocurriera un milagro. Una sensación exactamente inversa a la que los brasileños mantuvimos durante muchos años. Con rigor, hasta el Mundial de Alemania, cuando el fracaso de un equipo de astros como Ronaldo, Ronaldinho, Robinho y Kaká destruyó la autoconfianza del país del fútbol.

Dicho de otro modo, Brasil volvía al "complejo del perro callejero", concepto del dramaturgo y mejor interprete del alma brasileña, Nelson Rodrigues. Pero este complejo existía solamente en el fútbol. Antes de que la pelota empezase a rodar ya se notaba el sentimiento de inferioridad, exceptuando a los patriotas más exagerados.

Lo mismo pasó en el campo. Maurício Noriega, el comentarista del canal de pago que retransmitió el partido, Sportv, decía que el Santos, en lugar de respetar al Barça como debería, le tenía miedo. Eso, como lo sabe cualquier psicólogo o camarero, les hizo detenerse frente al adversario. Quizás el "complejo del perro callejero" se atenúa porque el Barça, según Noriega, "es un equipo de otro planeta". Como culé desde los tiempos en que el Barça era de este planeta, estoy plenamente de acuerdo con Noriega. El complejo sería, por lo tanto, que los mortales estuviesen frente a algo contra lo que no pudiesen competir.

Neymar es el único jugador de Santos que los críticos deportivos de Brasil consideran capaz de pertenecer a otro planeta algún día. Él dijo, al final de los 4 a 0: "Tomamos una clase de fútbol".

Jamás imaginé que un jugador brasileño pudiese decir algo así de un club europeo. Un jugador sobre el que el periodismo deportivo especulaba si ya era o sería mejor que Messi.

Mientras Brasil emerge en la economía, aunque lentamente, y crece en autoestima, se hunde, no tan lentamente, en el fútbol. Parece obvio que hay algo muy equivocado en este campo.

Traducción: Beatriz Borges

Feliz Ano Novo. Feliz?

Por: | 15 de diciembre de 2011



O Brasil, em grande forma econômica no final do ano passado, já não exibe a mesma exuberância, ao terminar 2011. Ao contrário: em outubro, a economia encolheu pelo terceiro mês consecutivo, segundo estimativa do Banco Central. Caiu 0,32%, na comparação com o mês anterior, em que o encolhimento já havia sido de 0,11% sobre agosto.
É bom dizer que a temperatura nos centros comerciais não é tão fria quanto indicam os dados oficiais. Para leitores não-brasileiros, uma explicação indispensável: a violência urbana afastou o público das lojas de rua e fez com que as compras se concentrassem em shopping centers, em tese mais seguros. Transformaram-se também, ao menos em São Paulo, em uma espécie de programa obrigatório.
Por isso mesmo, é meu ponto de observação favorito sobre a temperatura da economia, embora não permita, como é óbvio, uma avaliação científica. Mas como os economistas erram mais que acertam em suas previsões supostamente científicas, prefiro meu empirismo.
Nesses pontos comerciais - e igualmente no comércio popular concentrado em algumas poucas zonas das grandes cidades - o movimento continua intenso. É verdade que as pessoas saem das lojas com menos pacotes do que no Natal de 2010, mas não há a tristeza característica de um período de retração.


Rua 25 de Março, São Paulo, comércio popular

Talvez a explicação esteja no emprego: o índice de desemprego no Brasil era, no mesmo outubro em que a economia escorregou, de 5,8% da população economicamente ativa, o menor nível para esse mês desde 2002. Melhor ainda: inferior à taxa de setembro (6%). Traduzindo: a economia, segundo o BC, encolhe, mas o emprego não. E é o emprego que define o humor do público, como bem sabem os espanhóis.
O problema para 2021, no entanto, é que essa equação pode mudar. Está havendo também no Brasil uma contração do crédito, que afeta especialmente as pequenas e médias empresas, que são as grandes empregadoras. Consequência: "Corremos sério risco de que, como em 2008, as empresas demitam na volta das férias coletivas, no início do ano", disse ao "Estado de S. Paulo" José Ricardo Roriz Coelho, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Não é só no meio empresarial que há esse temor. O Índice de Medo ao Desemprego subiu de 78,8 pontos em setembro para 81,6 pontos em dezembro, segundo levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria.
Esse indicador combina com a observação empírica nos centros comerciais: quem tem medo de perder o emprego continua freqüentando os shoppings, mas compra menos.
Tudo somado, é previsível que a economia brasileira volte aos patamares medíocres de crescimento que o nível de 7,5% alcançado em 2010 parecia haver desterrado para sempre. Este ano, a previsão do governo continua sendo de crescimento de 3,2%, um número já ruim. Mas o mercado calcula menos ainda (2,97%). Pior: para a Federação das Indústrias de São Paulo, em 2012, o crescimento será menor (2,6%).
Devo deixar claro que eu não levo fé em previsões econômicas ou quaisquer outras, tamanho é o histórico de erros desse pessoal. Mas, números à parte, parece claro que a exuberância está pelo menos congelada no Brasil.

Año Nuevo. ¿Feliz?

Por: | 15 de diciembre de 2011

Al terminar 2011, Brasil ya no exhibe la misma exuberancia económica del año pasado. Todo lo contrario: en octubre la economía ha encogido por tercer mes consecutivo, según la estimación del Banco Central. En comparación con el mes anterior, que ya había encogido un 0,11% sobre el mes de agosto, la economía cayó un 0,32%.

Os recuerdo que la temperatura en los centros comerciales no es tan fría como indican los datos oficiales. Para lectores no brasileños, una indispensable explicación: la violencia urbana apartó el público de las tiendas a pie de calle e hizo que las compras se concentrasen en centros comerciales, en teoría, más seguros. Se transformaron también en una especie de programa obligatorio, al menos en São Paulo. Aunque, obviamente no sea una evaluación científica, es mi punto de observación favorito sobre la temperatura de la economía. Pero como los economistas se equivocan más que aciertan en sus previsiones, supuestamente científicas, prefiero mi empirismo.

El movimiento sigue intenso en estos centros comerciales e igualmente en el comercio popular concentrado en algunas pocas zonas de las grandes ciudades. Es verdad que la gente sale de las tiendas con menos paquetes que en Navidad de 2010, pero no hay la tristeza habitual de un periodo de recesión.

Pie de foto: Calle 25 de Março, comercio popular en São Paulo

Quizás la explicación esté en el empleo: el paro en Brasil era del 5,8% en el mismo octubre que la economía patinó, el menor nivel para este mes desde 2002.
Mejor aún: inferior a la tasa de septiembre (6%).
Traduciendo: la economía encoge pero no el empleo, según el Banco Central. Y es el empleo lo que define el humor del público, como bien saben los españoles.

El problema es que esta ecuación podría cambiar para 2021. Hay también en Brasil una contratación del crédito, que afecta principalmente a las Pymes, que son las grandes empleadoras. En consecuencia: "Hay riesgo de que las empresas despidan a principios de año, como en 2008, después de las vacaciones colectivas", dijo José Ricardo Roriz Coelho, director de la Federación de Industrias del Estado de São Paulo al periódico Estado de S. Paulo.

El temor no está solamente en el medio empresarial. El índice de miedo al desempleo subió de 78,8 puntos en septiembre a 81,6 puntos en diciembre, según la Confederación Nacional de la Industria.

Este indicador hace juego con la observación empírica de los centros comerciales: quien tiene miedo a perder el empleo sigue frecuentando estos lugares
, pero compra menos.

Es previsible que la economía brasileña vuelva a los niveles mediocres de crecimiento que, aparentemente, habían sido desterrados por el 7,5% alcanzado en 2010. La previsión del gobierno, para este año, sigue siendo un crecimiento del 3,2%, un numero malo. Pero el mercado todavía calcula menos (2,97%). Peor: para la Federación de las Industrias del Estado de São Paulo el crecimiento en 2012 será menor (2,6%).

Debo dejar claro que no creo en previsiones económicas o cualquier otro tipo de predicción. El listado de errores pasados de esta gente es enorme. Pero, números a parte, parece que por lo menos la exuberancia está congelada en Brasil.

Traducción: Beatriz Borges

El País

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