Clovis Rossi

Sobre el autor

Clovis Rossi. 48 años de periodismo, columnista del diario "Folha de S. Paulo" y del portal Folha.com, ya ejerció todas las funciones posibles en el periodismo, de reportero a editor-jefe, ganador de los premios Maria Moors Cabot, de la Universidad Columbia (NY) y de la Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, dirigida por Gabriel García Márquez, los dos por el conjunto de la obra.

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Nem Davos nem Porto Alegre

Por: | 30 de enero de 2012




"Novos modelos" saídos de Davos? Só retórica vazia

DAVOS - Jamais, nos 21 anos que acompanho os encontros do Fórum de Davos, o seu público principal - a nata do capitalismo global - esteve sob tão forte crítica. Antes, as críticas podiam até ser mais violentas, mas vinham fundamentalmente dos anti-capitalistas.

Agora, os próprios adeptos do capitalismo estão carregados de dúvidas, de que dá prova irrefutável recente artigo de Francis Fukuyama para a revista Foreign Affairs, no qual diz que "a corrente forma de capitalismo globalizado está erodindo a base social da classe média na qual se assenta a democracia liberal".

Sim, Fukuyama é aquele sociólogo que, 20 anos atrás, decretou o fim da história, com a vitória para todo o sempre da combinação economia de mercado/democracia liberal. O artigo de Fukuyama, sintomaticamente, chama-se "O Futuro da História", o que equivale a dizer que a vitória dessa dupla mágica pode não ser para sempre.
Bom, voltemos a Davos: nem as dúvidas de seus próprios adeptos nem o movimento dos indignados em diferentes países nem as tentativas de "ocupar Wall Street" ou outros símbolos do capitalismo - nada disso provocou uma auto-crítica do povo de Davos, que parece ser a representação daquele 1% que controla o mundo, em detrimento dos 99% restantes, para usar a criativa palavra de ordem dos "ocupantes" de Wall Street.
Aliás, houve um "ocupe WEF" (sigla em inglês para Fórum Econômico Mundial) na própria Davos. Fracasso total: havia mais ativistas (e eram poucos) do que público para ouvi-los.
Não que a tropa do 1% seja completamente cega. Falemos de apenas um deles, David Rubenstein, executivo do Grupo Carlyle (gerencia cerca de US$ 153 bilhões em ativos, algo que os 99% jamais verão nem que vivam 100 anos). Em um debate precisamente sobre a crise do capitalismo, Rubenstein admitiu candidamente que o capitalismo não resolve todos os problemas.
"Não resolveu, por exemplo, o problema da desigualdade", disse. Poderia ter sido ainda mais cândido para afirmar que, na verdade, a forma atual de capitalismo agravou o problema da desigualdade, seja na sua pátria-mãe, os Estados Unidos, seja na emergente China, a capital do que a revista "The Economist" chamou de capitalismo de Estado.
Mas Rubenstein e seus pares de Davos estão longe de pensar em cortar os pulsos por causa disso. Ao contrário, o executivo do grupo Carlyle refugia-se em uma paráfrase de Winston Churchill, aquele para quem a democracia era o pior dos regimes, fora todos os outros. Para Rubenstein, "o capitalismo é o pior dos regimes fora os outros".
Se é ou não, é uma questão em aberto. Mas parece evidente que o comodismo da tribo de Davos se deve menos aos méritos do capitalismo e mais à ausência de uma alternativa.


Mas Porto Alegre, nem com Dilma, conecta-se com os 99%

O contraponto a Davos, o Fórum Social Mundial, que voltou a se reunir este ano em Porto Alegre, sua capital original, chegou a uma "crise de identidade", na avaliação de Bernardo Mello Franco, da "Folha de S. Paulo", um dos melhores repórteres da nova geração.
Não é apenas uma avaliação pessoal. Eis o relato de Mello Franco na "Folha" de domingo:
"Um dos idealizadores do fórum, o ativista Chico Whitaker expôs o desconforto na sexta-fe'ira, em desabafo que surpreendeu a plateia acostumada com discursos empolgados sobre a derrocada iminente do capitalismo.
Ele disse que o encontro não conseguiu se conectar a novos fenômenos como os movimentos de "indignados", que passaram a ocupar ruas na Europa e nos EUA.
'Temos que mudar de estratégia. Hoje concordamos em tudo e saímos daqui satisfeitos com nós mesmos. Precisamos inventar uma maneira de começar a falar com os 99% que estão insatisfeitos', disse Whitaker.
É uma cruel - e triste ironia - que um dos mais lúcidos líderes da tribo de Porto Alegre tenha chegado a uma conclusão muito parecida com a que David Ignatius, colunista do "Washington Post" extraiu da tribo oposta, a de Davos: "Na medida em que as elites se tornaram mais bem conectadas [entre elas], o ressentimento contra elas parece ter crescido nas suas terras, fornecendo combustível para o descontentamento".
Resumo da história: Porto Alegre e Davos falam cada um para si mesmo, e os 99% ficam soltos no espaço, "indignados".
É um triste retrato da elite e da contra-elite.

Ni Davos ni Porto Alegre

Por: | 30 de enero de 2012

Pie de foto: ¿“Nuevos modelos” creados en Davos? Era solo retorica vacía.

En los 21 años que he acudido a los encuentros del Foro de Davos, nunca he visto a sus protagonistas bajo críticas tan fuertes. Antes, las críticas que se hacían a la nata del capitalismo eran más violentas y venían fundamentalmente de los anticapitalistas. Ahora son los propios partidarios del capitalismo los que están llenos de dudas, como se ve en lo que dijo Francis Fukuyama en su artículo para la revista Foreign Affairs, “la forma actual de capitalismo globalizado está erosionando la base social de la clase media, en la que se asienta la democracia liberal”.

Fukuyama es aquél sociólogo que hace 20 años decretó “El fin de la historia”, en la que ganaron la economía de mercado y la democracia liberal, combinados para siempre. Su artículo actual se titula “El futuro de la historia”, que es lo mismo que decir que la victoria de este doblete mágico no puede durar para siempre.

Volvamos a Davos. Ni las dudas de sus propios partidarios ni el movimiento de los indignados en distintos países ni los intentos de Occupy Wall Street u otros símbolos del capitalismo lograron que la gente de Davos se hicera una autocrítica. Ellos representan aquél  1% que controla el mundo, en detrimento de los 99% restantes, para usar la palabra creativa de los indignados de Wall Street.

Además, en Davos hubo un Ocuppy WEF, sigla en inglés para el Foro Económico Mundial. Un fracaso: aunque pocos, había más activistas que público para oírlos. No es que el grupo del 1% sea completamente ciego. Hablemos de uno de ellos, David Rubenstein, ejecutivo del Grupo Carlyle, que gestiona alrededor de 153 billones de dólares en activos, algo que ese 99% de la población jamás verá aunque viva 100 años. Rubenstein admitió cándidamente durante un debate sobre la crisis del capitalismo que este no soluciona todos los problemas. “No ha resuelto, por ejemplo, el problema de la desigualdad”, dijo. Podría haber sido aún más cándido para afirmar que la forma actual de capitalismo empeoró el problema de la desigualdad, ya fuera en su tierra, los EE UU, o en la China emergente, a la que la revista The Economist llamó “capital del capitalismo de Estado”.

Pero Rubenstein y sus pares de Davos están lejos de pensar en cortarse las venas por esto. Todo lo contrario: el ejecutivo del grupo Carlyle se refugia en una cita de Winston Churchill, para quien la democracia era el peor de los tipos de gobiernos, sin contar los demás. Para Rubenstein “el capitalismo es el peor sistema entre los demás”.

Si lo es o no lo es, es una cuestión abierta al debate. Pero parece evidente que la comodidad de la tribu de Davos se debe más a la ausencia de una alternativa que a los méritos del capitalismo.

Pie de foto: Porto Alegre no se conecta ni con los 99% ni con Dilma.

El contrapunto de Davos es el Foro Social Mundial, que volvió a reunirse este año en Porto Alegre, su capital original. En la evaluación de uno de los mejores periodistas de la nueva generación, Bernardo Mello Franco, del periódico Folha de S. Paulo, el Foro llegó a “una crisis de identidad”.

No es solamente una evaluación personal. Su relato, el pasado domingo: “Uno de los idealizadores del Foro, el activista Chico Whitaker, expuso el malestar. Su desahogo el pasado viernes sorprendió a los asistentes, que están acostumbrados a discursos emocionados sobre la derrocada inminente del capitalismo. Él dijo que el encuentro no pudo conectarse con otros fenómenos, como los movimientos de indignados que pasaron a ocupar las calles de Europa y EE UU. “Tenemos que cambiar de estrategia. Hoy estaremos de acuerdo en todo y saldremos satisfechos con nosotros mismos. Necesitamos inventar una forma de hablar con el 99% que está insatisfecho”, dijo Whitaker. Es una cruel y triste ironía que uno de los más lúcidos líderes de la tribu de Porto Alegre haya llegado a una conclusión muy parecida a la que un columnista de Washington Post extrajo de Davos: “A pesar de que las élites se hayan conectado mejor entre sí, el resentimiento hacia ellas ha crecido, dando combustible a la insatisfacción”.

Resumen de la historia: Porto Alegre y Davos hablan cada uno para sí mismo y los 99% se quedan sueltos en el espacio, indignados. Es un triste retrato de la élite y de la contraélite.

Traducción: Beatriz Borges

Bem na neve e nos trópicos

Por: | 26 de enero de 2012



Lula fala em Davos, nos primeiros dias de seu governo

DAVOS - Acompanho o Fórum de Davos faz 21 anos, tempo suficiente para ser testemunha ocular da espantosa transformação da imagem do Brasil junto aos "gatos gordos" da economia planetária, como são chamados pelos que a eles se opõem.
Começou em 1992. O presidente chamava-se Fernando Collor de Mello, um aventureiro que até hoje não entendo como conseguiu eleger-se, com base em uma estratégia eficiente, mas enganosa, de marketing político.
O seu ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, fez uma exposição ao povo de Davos, durante almoço. Prometeu estabilizar a economia. Depois do almoço, conversei com bom número de empresários presentes, que ridicularizaram a exposição do ministro.
No mesmo ano, o Congresso Nacional adotou a profilática medida de afastar Collor, sepultado por uma avalanche de acusações de corrupção.
Subiu o vice, Itamar Franco, que implantou o Plano Real e conseguiu o que Marcílio Marques Moreira prometera e não cumprira: estabilizar a economia. Ou, mais exatamente, domar a inflação.
Foi um passo fundamental para que o Brasil pudesse ser entendido no exterior. Quando se sabe que o Banco Central Europeu tem como meta uma inflação ANUAL de 2% e o Brasil chegou a viver com inflação MENSAL de 80%, fica claro que qualquer diálogo seria de surdos.
Domada a inflação, ficou no entanto outro desvario, perpetuado pelo presidente seguinte, Fernando Henrique Cardoso, que permitiu que o Banco Central colasse o real ao dólar. Houve até momentos em que o real chegou a valer mais que o dólar, fatal ilusão de ótica.
O esquema ruiu durante outro encontro de Davos, o de 1999. Foi mais uma humilhação, a ponto de o arrogante Lawrence Summers, então secretário do Tesouro dos Estados Unidos, ter ironizado, em um jantar: a moeda brasileira (o real) não era real, mas virtual. De fato, derretia à vista de todos.
O colapso evidenciou, paralelamente, a miopia do empresariado brasileiro. Havia um jantar programado para que o então chanceler, Luiz Felipe Lampreia, falasse sobre a conjuntura econômica. Mas um grupo de empresários conspirou para levar ao jantar um certo Domingo Cavallo, o homem que estabilizara a indomável economia argentina, graças ao truque de fazer um dólar valer indefinidamente o mesmo que um peso.
O empresariado brasileiro presente a Davos queria que Cavallo fosse importado como conselheiro para ensinar o Brasil os segredos da supostamente boa gestão econômica. Ainda bem que não funcionou. O truque de Cavallo desabou estrepitosamente em 2001, arrastando consigo o governo de Fernando de la Rúa e levando a Argentina ao colapso.
O que só prova, do meu ponto de vista, que, se os políticos podem ser muitas vezes inconsequentes, os líderes do setor privado tampouco são gênios iluminados.
O encontro-1999 ainda rolava quando caiu o presidente do BC brasileiro, substituído por Armínio Fraga, que, até então, era executivo da firma de investimentos de George Soros, um dos grandes expoentes da tribo que se reúne em Davos.
Com Armínio, o Brasil adotou o câmbio flutuante, que passara a ser parte essencial das receitas aprovadas pela turma de Davos. O real voltou a ser real.
Veio a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, teoricamente o maior adversário da livre iniciativa. Mas ele chamou para o BC outro homem de Davos, Henrique de Campos Meirelles, que, como executivo do BankBoston, freqüentava os encontros do Fórum Econômico Mundial já fazia algum tempo. Mais: convocou outro empresário e regular frequentador de Davos, Luiz Fernando Furlan, para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Lula chegou a ensaiar uma improvável (ou impossível?) conciliação: esteve, dias depois da posse, em janeiro de 2003, tanto em Davos como em Porto Alegre, a cidade em que se reunia a tribo adversária, a que acha que "outro mundo é possível".
O governo Lula, aliás, tinha gente das duas tribos. De Davos, Furlan e Meirelles, para não mencionar Antonio Palocci, o ministro da Fazenda, um trotskista que migrou para a ortodoxia econômico-financeira. De Porto Alegre, Oded Grajew, o empresário que foi o inspirador da criação do Fórum Social Mundial, e frei Betto, ambos conselheiros especiais do presidente, além de amigos pessoais de Lula.
A tentativa de conciliação não durou muito: Oded e Betto deixaram logo o governo. Oded me disse uma vez, com os olhos marejados, que saíra porque em Brasília todo o mundo só pensava no poder, não no país. Betto também saiu desiludido, mas, leal ao amigo, calou-se.
Furlan e Meirelles ficaram até o fim do governo Lula.
Estava pois aplainado o caminho para que Davos aceitasse o Brasil de Lula e, agora, de Dilma Rousseff, ainda mais que o ex-presidente chegou a dizer que tudo o que pregava no passado como oposicionista não passava de "bravatas".
O único obstáculo remanescente era o crescimento medíocre da economia brasileira (4% apenas na média dos oito anos Lula, um bom número na comparação com o período anterior, mas um fracasso na comparação com a China, principalmente, mas também com a Índia).



Até que vieram os espetaculares 7,5% de 2010. Pronto, ao voltar pela 21.a a Davos, me encontro com pesquisa da consultoria PricewaterhouseCoopers em que o Brasil é apontado como o terceiro país que oferece as melhores perspectivas de crescimento para as empresas globais, na opinião do empresariado estrangeiro (brasileiros não podiam votar no próprio país).
Perdia apenas para as duas potências econômicas do momento, China e Estados Unidos. Ganhava até da Alemanha.
Faço questão de deixar claro que, para o meu gosto, é muito melhor ser aplaudido pelos brasileiros do que pelo povo de Davos. Mas se um governo - como é o caso do de Dilma Rousseff - consegue agradar tanto nos trópicos como na neve, melhor ainda, não?

Bien, en la nieve y en los trópicos

Por: | 26 de enero de 2012

Pie de foto: Lula habla en Davos en los primeros días de su gobierno

Desde hace 21 años sigo el Foro Económico Mundial de Davos. Tiempo suficiente para haber sido testigo de la asombrosa transformación de la imagen de Brasil frente a los “gatos gordos” de la economía mundial. Así les llaman sus opositores.

Todo empezó en 1992. El presidente era Fernando Collor de Mello, un aventurero que todavía no puedo entender cómo resultó elegido. Su campaña se basó en una eficiente pero engañosa estrategia de marketing político. Marcílio Marques Moreira, su ministro de la economía, habló durante la comida, y prometió estabilizar la economía. Después de comer, muchos empresarios que estaban presentes y con quienes hablé pusieron en ridículo su exposición.

El mismo año, el Congreso Nacional apartó a Collor, sepultado bajo una avalancha de acusaciones de corrupción.

Su vicepresidente, Itamar Franco, implantó el Plan Real y logró cumplir la promesa de estabilizar la economía que no logró Marcílio Marques Moreira. O, más exactamente, logró domar la inflación.

Fue un paso fundamental para que a Brasil se le entendiese en el exterior. Cualquier diálogo sería de sordos cuando se sabía que el Banco Central Europeo fija en un 2% la inflación ANUAL, mientras que Brasil ha llegado a vivir con una inflación MENSUAL del 80%. Pese al control de la inflación, el Banco Central equiparó el real al dólar, una fatal ilusión de óptica. Y este desvarío se perpetuó en la siguiente gestión, de Fernando Henrique Cardoso.

Esta estructura se colapsó durante otro encuentro de Davos, en 1999. Fue una humillación más. El arrogante secretario del Tesoro de los EE UU, Lawrence Summers, ironizó durante una cena que la moneda brasileña (el real) no era real, sino virtual. De hecho, se derretía a la vista de todos.

El colapso evidenció, a la vez, la miopía de los empresarios brasileños. Había una cena programada para que el diplomático brasileño de entonces, Luiz Felipe Lampreia, hablase sobre la coyuntura económica. Pero un grupo de empresarios conspiró para que un tal Domingo Cavallo fuese a la cena también. Cavallo era el hombre que había estabilizado la economía argentina gracias al truco de hacer valer un dólar lo mismo que un peso, indefinidamente.

Los empresarios brasileños presentes en Davos querían que Cavallo fuese importado como consejero para enseñar en Brasil los secretos de su supuestamente buena gestión económica. Menos mal que no funcionó. El truco de Cavallo terminó por colapsarse en 2001, arrastrando consigo al Gobierno de Fernando de la Rúa y al país.

Desde mi punto de vista, esto prueba que si los políticos pueden ser inconsecuentes, los líderes del sector privado tampoco son genios iluminados. Formattato: Tipo di carattere: Corsivo

El encuentro de 1999 aún estaba desarrollándose cuando el presidente del Banco Central brasileño cayó. Le sustituyó Armínio Fraga que, hasta entonces, era asociado de la compañía de inversiones George Soros, un gran ejemplo de la tribu que se reúne en Davos.

Con Armínio, Brasil adoptó el cambio flotante, que pasó a ser esencial entre las recetas aprobadas por los de Davos. El real volvió a ser real.

Vino la elección de Luiz Inácio Lula da Silva, teóricamente el mayor adversario de la libre iniciativa. Pero él llamó a otro hombre de Davos para ocuparse del Banco Central, Henrique de Campos Meirelles. Anteriormente, Meirelles era ejecutivo del BankBoston y frecuentaba los encuentros del Foro Económico Mundial desde hacía tiempo. Y aún más: convocó a otro empresario y frecuente invitado de Davos, Luiz Fernando Furlan, para el Ministerio del Desarrollo, Industria y Comercio.

Lula llegó a ensayar una improbable (¿o imposible?) conciliación. A pocos días de su investidura, en enero de 2003, estuvo en Davos. Y también en Porto Alegre, donde se reúne la tribu adversaria que cree que “otro mundo es posible”.

El Gobierno de Lula tenía gente de ambas tribus. De Davos, Furlan y Meirelles, por no mencionar el ministro de Hacienda, Antonio Palocci, un trotskista que migró a la ortodoxia económica-financiera; de Porto Alegre, Oded Grajew, el empresario que inspiró la creación del Foro Social Mundial, y Frei Betto, ambos consejeros especiales del presidente, aparte de amigos de Lula.

El intento de conciliación no duró mucho. Oded y Betto pronto dejaron el Ejecutivo. Oded me dijo una vez, con los ojos húmedos, que había abandonado porque en Brasilia nadie pensaba en el país, solo en el poder. Betto también salió desilusionado, pero, leal al amigo, se calló. Furlan y Meirelles se quedaron hasta el final del Gobierno de Lula.

El camino para que Davos aceptara al Brasil de Lula estaba entonces libre de obstáculos. Y ahora, también el de Dilma Rousseff. El expresidente llegó a decir que todo lo que predicaba en el pasado, cuando hacía oposición, no pasaba de baladronadas.

El único obstáculo que persistía era el mediocre crecimiento de la economía brasileña (solamente un 4% en media, durante los ocho años de Lula;, un buen número comparado con el período anterior, pero un fracaso si lo comparamos principalmente con China, pero también con India).

Hasta que vino el espectacular 7,5% de 2010. Listo. Al volver por vigésimo primera vez a Davos, me encuentro con la investigación de la consultoría PricewaterhouseCoopers. En ella, Brasil queda tercero en el listado de países que ofrecen las mejores perspectivas de crecimiento para empresas globales, en opinión de los empresarios extranjeros (los brasileños no podían votar en su propio país). Perdía solamente frente a dos potencias económicas del momento, China y Estados Unidos. Incluso ganaba a Alemania.

Insisto en aclarar que, para mi gusto, es mucho mejor ser ovacionado por los brasileños que por la gente de Davos. Pero si un Gobierno, como es el caso del de Dilma Rousseff, consigue agradar tanto en los trópicos como en la nieve, mejor todavía, ¿no?

Traducción: Beatriz Borges

O discreto charme de Dilma

Por: | 23 de enero de 2012




Quem poderia imaginar que Dilma Rousseff, a mais improvável líder de massas, superaria a populariade de seu mentor, padrinho e antecessor Luiz Inácio Lula da Silva? Pois é, aconteceu, segundo pesquisa do Datafolha, o mais conceituado instituto de pesquisas do Brasil, publicada domingo pelo jornal "Folha de S. Paulo": ao terminar seu primeiro ano de governo, a gestão Dilma era considerada "ótima/boa" por 59% dos consultados, contra 42% para Lula, quando ele completou seu primeiro aniversário no Palácio do Planalto.
Mais: Dilma ganha de todos os presidentes da presente etapa democrática.
Quando digo da improbabilidade de a presidente alcançar picos como esse, levo em conta as seguintes comparações:
1 - Dilma não tem um décimo do carisma de seu antecessor. Nem sua história de vida é tão cinematográfica quanto a de Lula.
Dilma não é de tomar banho de multidão, de ser agarrada, carregada, beijada (e beijar) como acontecia com Lula.
Aliás, já no dia da primeira posse, antes portanto de que pudesse demonstrar a que viera, Lula quase foi derrubado do carro oficial aberto que o transportava para a cerimônia por um fã mais entusiasmado.
2 - O discurso da presidente é burocrático, ao contrário de Lula, que coloria a sua mensagem com frases de efeito.
3 - Dilma, a rigor, nada fez para conquistar popularidade. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, cavalgava o Plano Real, que derrubou a inflação, flagelo que devastou o Brasil durante décadas. Lula lançou o "Fome Zero", logo reconvertido em "Bolsa Família", o programa de assistência aos mais pobres que se tornou seu mais potente instrumento de popularidade.
Dilma criou, é verdade, o "Brasil sem Miséria", por enquanto mais um rótulo do que um programa efetivo.
4 - A presidente enfrentou uma inédita onda de escândalos envolvendo seus ministros, o que levou à demissão de seis deles, cinco por suspeitas de corrupção. Não obstante, a popularidade se reforçou porque Dilma é vista como autora de uma limpeza na Esplanada dos Ministérios, o que é um equívoco, mas colou. Equívoco porque todos os ministros afastados trabalharam com Dilma como "gerente" do governo Lula, o que significa que ela não era uma administradora muito atenta aos deslizes dos colegas.
Como explicar, então, a popularidade recorde para 12 meses de gestão? Minha resposta é simples: no fundo, Dilma está tomando emprestada de Lula a sua aceitação. Explico melhor: ela se elegeu surfando na onda do que os ingleses gostam de chamar de "feel good factor".
Aqui um pouco de auto-propaganda: escrevi para a "Folha" que Dilma muito provavelmente seria eleita quando o líder nas pesquisas ainda era José Serra, o candidato do PSDB. Dizia, então, que o brasileiro sentia-se bem, estava feliz - e, quando se está feliz e há uma eleição, vota-se majoritariamente no candidato do governo, chame-se ele Dilma, Lula ou João.
O que Dilma fez na Presidência foi seguir o "script" do governo anterior, sem invenções nem pirotecnias
Por isso, o brasileiro continua se sentindo bem, apesar da desaceleração econômica (o crescimento caiu para menos da metade da marca registrada no último ano da gestão Lula). O que é também fácil de explicar: a desaceleração não afetou o nível de emprego - e o que machuca o prestígio do governante é o aumento do desemprego (vide José Luis Rodríguez Zapatero).



Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, lembra que o desemprego era a grande inquietação do brasileiro, apontado como tal por 41% dos entrevistados no primeiro ano do governo Lula. "Hoje, apenas 9% citam o desemprego como o principal problema do país. É um claro retrato da mudança de ânimo dos brasileiros nesse período", escreveu Paulino para a "Folha".
Paulino aponta um segundo fenômeno Dilma: "Nos primeiros 12 meses dos governos eleitos e reeleitos após a volta das eleições diretas, as taxas de aprovação de Collor e Itamar caíram, as de Fernando Henrique ficaram estáveis no primeiro mandato e caíram no segundo, enquanto Lula manteve-se estável tanto no início do primeiro quanto do segundo. Dilma é, portanto, a única que viu crescer sua popularidade nos primeiros 12 meses de governo".
Quer uma segunda explicação para o fenômeno? Ei-la: outra pesquisa também do Datafolha mostra que 62% dos brasileiros acham que vivem melhor do que os seus pais. É ou não um retrato do "feel good factor"?
Agora, compare com os resultados de um levantamento feito pelo Fórum Econômico Mundial sobre os riscos globais para 2012: nele, constatou-se que, "pela primeira vez em gerações, muitas pessoas não mais acreditam que seus filhos ao crescerem gozarão de um padrão de vida mais elevado do que o deles [pais]", como disse Lee Howell, responsável pelo relatório.
Fácil de entender portanto o recorde de popularidade de Dilma e a queda livre dos governantes no mundo rico.

El discreto encanto de Dilma

Por: | 23 de enero de 2012

¿Quién podría imaginar que la más improbable líder de las masas, Dilma Rousseff, superaría la popularidad de su mentor, padrino y antecesor Luiz Inácio Lula da Silva? Según una encuesta del instituto de investigación más prestigioso de Brasil, Datafolha, “al final del primer año de gobierno, la gestión de Dilma fue consideraba optima/buena por el 59% de los entrevistados. En comparación, Lula tuvo un 42% en su primer aniversario”. Los resultados fueron publicados en el periódico Folha de S. Paulo el domingo. Y decía más: de todos los presidentes de la etapa democrática Dilma fue la ganadora.

Para afirmar que es improbable que un presidente alcance picos como este, hago las siguientes consideraciones:


1.    Dilma no tiene ni una décima parte del carisma de su antecesor. Su historia de vida tampoco es tan cinematográfica como la de Lula. Mientras a Lula sí, a Dilma no le gustan las multitudes, tampoco que la agarren, la carguen, la besen (y besar también). Lula, en el día de su investidura, fue recibido por un fan entusiasta que le hizo caer del coche oficial al darle un abrazo.


2.    El discurso de la presidenta es burocrático, lo contrario de Lula, que coloreaba su mensaje con frases impactantes.


3.    Dilma no hizo nada para conquistar su popularidad. Fernando Henrique Cardoso, el antecesor de Lula, creó el Plano Real, que derrumbó la inflación, una plaga que devastó Brasil durante décadas. Lula lanzó el Fome Zero (Hambre Cero), trasformado en Bolsa Familia (Beca Familia), el programa de asistencia a los más pobres que fue su mayor instrumento de popularidad. Dilma creó el Brasil sem miséria (Brasil sin miseria), pero por ahora es más un titular que un programa de hecho.

4.    La presidenta se enfrentó a una inédita ola de escándalos con la dimisión de seis ministros, cinco de ellos sospechosos de corrupción. Pese a esto, la popularidad de Dilma se reforzó porque le ven como autora de una limpieza en su gobierno, lo que es un error. Es un error porque todos los ministros apartados trabajaron con Dilma mientras ella era ministra de la Presidencia en el gobierno de Lula. Esto significa que ella no era una administradora muy atenta a los deslices que cometían sus compañeros.

¿Cómo explicar entonces la popularidad récord para los 12 meses de gestión? Mi respuesta es sencilla. En el fondo, Dilma cogió prestada la aceptación de Lula. Explico mejor: ella se eligió surfeando en la ola feel good factor, como a los ingleses les gusta decir cuando todo va bien en la economía.

Aquí un poco de autopromoción: escribí para Folha que Dilma probablemente sería elegida cuando José Serra, el candidato del PSDB, salía líder en las encuestas sobre quien ganaría la las elecciones para la presidencia de Brasil. Yo decía que el brasileño se sentía bien y estaba contento y, cuando se está contento y hay elecciones, se vota mayoritariamente en el candidato del gobierno, se llame Dilma o Juan.

Dilma, como presidenta, ha seguido el guión del gobierno anterior, sin invenciones o pirotecnia.
Por esta razón el brasileño sigue sintiéndose bien, pese a la desaceleración económica. El crecimiento se redujo a menos de la mitad de la marca del último año de gestión de Lula. Esto también es fácil de explicar: la desaceleración no afectó el nivel de empleo y lo que lastima el prestigio del gobernante es el aumento del desempleo, como pasó con José Luis Rodríguez Zapatero.

El director de Datafolha, Mauro Paulino, recuerda que el desempleo era la gran inquietud del brasileño. El 41% de los entrevistados durante el primer año del gobierno de Lula apuntó el paro como su principal preocupación. “Hoy día solamente el 9% apunta el desempleo como principal problema del país. Es un retrato claro del cambio en el ánimo de los brasileños en este periodo”, escribió Paulino para Folha. Paulino apunta un segundo fenómeno durante el gobierno de Dilma: “Después que Brasil volvió a tener elecciones para presidente, Dilma fue la única que vio crecer su popularidad en los primeros 12 meses. La aprobación de Collor e Itamar se vio reducida. La de Fernando Henrique fue estable en los primeros cuatro años y cayeron en el segundo período. Mientas Lula se mantuvo estable en el inicio de su primero y segundo gobiernos”.

¿Quieres una segunda explicación para el fenómeno? Aquí la tienes: otra investigación de Datafolha enseña que el 62% de los brasileños piensan que viven mejor que sus padres. ¿Es o no lo es un retrato del feel good factor?

Ahora comparemos con el informe hecho por el Foro Económico Mundial acerca de los riesgos globales para 2012. Se constató que “por primera vez en generaciones muchas personas no creen que sus hijos tendrán un padrón de vida más elevado que ellos [los padres]”, dijo Lee Howell, responsable de la investigación. Así es fácil de entender el récord de popularidad de Dilma y la caída libre de los gobernantes del mundo rico.

Traducción: Beatriz Borges

Fraga e o Rolls Royce

Por: | 16 de enero de 2012


O Fraga que conheci confraternizava também com anti-castristas

Devo a Manuel Fraga Iribarne meu primeiro - e único - passeio de Rolls Royce na vida. Era 1975, e eu preparava reportagens sobre o que se supunha iminente, o início da transição na Espanha de Francisco Franco Bahamonde, que, se alguém ainda se lembra, morreu naquele ano mesmo. A incursão terminaria na Espanha, como é óbvio, mas passaria por Paris, para ouvir os exilados da esquerda ainda clandestina, e por Londres, na qual Fraga era embaixador da ditadura, embora já rotulado de "aperturista".
Um amigo, o jornalista Alberto Tamer, que trabalhava então na embaixada do Brasil em Londres, me conseguiu um encontro com Fraga. Mais que um encontro, acabou sendo um almoço na embaixada espanhola.
Se Rosa Montero confessou em "El País" que fora com medo para sua primeira entrevista com Fraga, eu só podia sentir mais medo ainda. Ela o encontrou em 1978, com a Espanha já redemocratizada e sendo jornalista de "El País", com todo o peso que carrega pertencer a esse formidável esquadrão. 
Eu, ao contrário, falava com o embaixador de uma ditadura, vindo de um país também sob ditadura, além de remoto, muito remoto. Nada de "emergente", potência do futuro, como se diz hoje. Éramos mesmo subdesenvolvidos, institucionalmente, economicamente, socialmente etc.

Meu medo só aumentou quando Fraga me apresentou o outro convidado do almoço, o diretor de um publicação dos cubanos de Miami, que, naquela época, não eram exatamente exemplos de gente que adora a democracia (hoje em dia, não sei).
Mas, ao contrário de Rosa Montero, eu não precisava fazer perguntas difíceis, delicadas. O objetivo não era obter declarações mas informações para tentar começar a entender a transição espanhola.
Desse ponto de vista, Fraga foi impecável: deixou clara a razão pela qual entendia que não tardaria para desatar o que Franco achava que estava "atado y bien atado". A Espanha, na sua visão e de seus amigos empresários, havia tocado o teto. Só podia continuar a se desenvolver se se abrisse para a Europa, o que exigia a volta à democracia.
Mariano Rajoy, no seu artigo para "El País" sobre Fraga, pôs a ênfase no amor do líder galego pela liberdade. Pode ser até que o tivesse, mas a minha impressão daquele primeiro encontro foi a de que ele se tornara um "aperturista" por puro pragmatismo: a Espanha só se desenvolveria se se redemocratizasse. Tinha razão.
O outro convidado daquele almoço seria a prova viva de outro tipo de pragmatismo: embora amigo de um daqueles exilados que a ditadura cubana chama de "gusanos", manteve excelentes relações com Fidel Castro, de remota origem galega.
Seja como for, Fraga foi valioso na transição, embora, como muitos outros políticos que conheci naqueles meses prévios à morte de Franco, seu papel na democracia acabasse sendo relativamente menor. Ficou praticamente confinado à Galícia.
Terminado o almoço, Fraga me ofereceu transporte para o aeroporto, que aceitei. O carro da embaixada era um reluzente Rolls Royce, deslumbrante para um jornalista ainda relativamente jovem (32 anos à época), vindo dos remotos trópicos, e que jamais estivera em Londres. Olhar os londrinos do alto do banco traseiro de um Rolls parecia a glória. Efêmera, mas glória, ainda mais que o motorista usava luvas brancas.

Bem que me senti tentado, nas duas vezes em que passei por A Coruña de férias, a bater à porta da Xunta que Fraga presidia. Desisti. Afinal, estava de carro e, mesmo que não estivesse, não creio que o veículo oficial da Xunta seja um Rolls.

Fraga y el Rolls Royce

Por: | 16 de enero de 2012

El Fraga que conocí también confraternizaba con anticastristas.

Debo a Manuel Fraga Iribarne el primer y único paseo en un Rolls Royce en mi vida. Era 1975. Yo preparaba reportajes sobre la inminente Transición en la España de Francisco Franco Bahamonde, que murió ese mismo año. Obviamente, el viaje terminó en España, pero antes pasé por París para escuchar a los exiliados de la izquierda clandestina, y por Londres, donde Fraga era embajador de la dictadura. Aunque ya en aquel momento era calificado de aperturista.

Un amigo que trabajaba en la embajada de Brasil en Londres, el periodista Alberto Tamer, me concertó una reunión con Fraga. Más que un encuentro, fue una comida en la embajada española.

Si Rosa Montero confesó que fue con miedo a su primera entrevista con Fraga, yo solo podía sentir aún más miedo. Se reunió con él en 1978, cuando España ya era una democracia y ella era periodista de EL PAÍS, con todo lo que representa pertenecer a este formidable equipo.

Yo, por otro lado, hablaba con el embajador de una dictadura y venía de un país que también estaba bajo una dictadura, aparte de remoto. Aún se hablaba de país emergente, potencia del futuro, como se dice hoy en día. Éramos subdesarrollados de hecho, institucionalmente, económicamente, socialmente, etcétera.

Mi miedo aumentó cuando Fraga me presentó a otro invitado. Era el director de una publicación de cubanos que vivían en Miami que, en aquella época, no era exactamente un ejemplo de gente que ama a la democracia (hoy en día, no lo sé).

Pero, al contrario que Rosa Montero, yo no necesitaba hacer preguntas difíciles o delicadas. El objetivo no era obtener declaraciones, sino informaciones para intentar comenzar a entender la Transición española.

Desde este punto de vista, Fraga fue impecable. Dejó clara la razón por la que entendía que no se tardaría mucho en desatar lo que Franco pensaba que quedaba “atado y bien atado”. España, en su opinión y la de sus amigos empresarios, había tocado techo. Solo podría continuar a desarrollarse si se abría a Europa, lo que exigía también el regreso a la democracia.

Mariano Rajoy, en su artículo para EL PAÍS sobre Fraga, enfatizó el amor del líder gallego por la libertad. Puede que existiese, pero mi impresión de aquel primer encuentro fue la de que él se había convertido en un aperturista por puro pragmatismo: España solo se desarrollaría si se democratizaba. Y tenía razón.

Otro invitado de aquella comida sería la prueba viva de otro tipo de pragmatismo. Aunque fuese amigo de los exiliados a los que la dictadura cubana llama gusanos, mantuvo excelentes relaciones con Fidel Castro, de remoto origen gallego.

En cualquier caso, Fraga fue valioso en la Transición aunque su papel en la democracia terminó siendo bastante menor, como el de muchos otros políticos que conocí aquellos meses previos a la muerte de Franco. Quedó prácticamente confinado a Galicia.

Terminada la comida, Fraga me ofreció transporte para el aeropuerto, que acepté. El coche de la embajada era un reluciente Rolls Royce, deslumbrante para un periodista joven de 32 años, venido de los remotos trópicos y que jamás había estado en Londres. Mirar a los londinenses desde el asiento trasero de un Rolls sabía a gloria. Efímera, pero gloria. El conductor, encima, llevaba guantes blancos.

Me sentí tentado a llamar a la puerta de la Xunta que Fraga presidía, en las dos ocasiones que pasé por A Coruña de vacaciones. Desistí. Al final, iba en coche y, aunque no estuviera, no creo que el vehículo oficial de la Xunta fuera un Rolls.

Traducción: Beatriz Borges

O pátio dos milagres é aqui

Por: | 12 de enero de 2012




Tempos atrás, cruzei em Genebra com um dos mais brilhantes diplomatas brasileiros, Victor Luiz do Prado, braço direito de Pascal Lamy na Organização Mundial do Comércio. Victor mora em Genebra já faz vários anos, e a conversa circulou por uma comparação entre a cidade suíça e São Paulo, a capital do Estado de que ambos somos originários.
"São Paulo perdeu a dimensão humana", lamentou o diplomata. Concordei. Até porque São Paulo virou uma monstruosidade sob muitos aspectos.
Pois bem: há dez dias estão no ar em todos os jornais e telejornais cenas explícitas dessa desumanidade. Quando a polícia, no dia 3, ocupou a chamada "cracolândia", a área do centro velho (e degradado) dominada por traficantes e viciados em "crack", acabou expondo um verdadeiro "pátio dos milagres" paulistano, um indescritível concentrado de misérias.
O jornal "Folha de S. Paulo" expõe há dois dias uma pitada a mais da desumanização, na forma das histórias de mulheres grávidas que, viciadas, perambulam pelas ruas da cracolândia carregando na barriga bebês que fatalmente sofrerão as consequências dessa situação escabrosa.



Uma das reportagens acabou mostrando o único ser humano ainda inteiro a conviver com o drama: chama-se Teresa Beatriz Viega, uma aposentada de 68 anos, que insiste, noite após noite, em buscar sua nora Desirée, de 35 anos, viciada e grávida de quatro meses.
O filho de Teresa, João, está preso por tráfico, e a aposentada é o único laço que pode, eventualmente, unir Desirée a um pouco de vida civilizada.
O leitor Alcides Telles Júnior escreveu à "Folha" exatamente para dizer que a reportagem "surpreendeu a quem já desacreditava do gênero humano ao contar o drama de Teresa Beatriz Viega. Sua procura, afetuosa e tenaz, pela nora grávida nos deu uma lição de vida. Teresa a encontrou após longa busca. Essa coragem de expor-se é prova de que nem tudo está perdido".
Será mesmo que nem tudo está perdido?
A verdade é que São Paulo convive há pelo menos 20 anos com o seu "pátio dos milagres" sem que a sociedade reaja. Agora que a polícia entrou, surgem números que demonstram como a miséria humana pode ser fonte de lucro: a venda de drogas na área, segundo a polícia, movimentava R$ 1 milhão por mês (equivalente a € 436 mil).





Comenta Vaguinaldo Marinheiro, na "Folha": É um valor muito pequeno para um esquema que pode gerar ganhos de 900% desde a produção da cocaína (base para o crack) na Bolívia (principal fornecedora do Brasil) até o mercado europeu. Segundo a polícia, um quilo de cocaína é comprado a R$ 7.000 (€ 3.054) na Bolívia e vendido pelo equivalente a R$ 69 mil (€ 30.105) na Espanha".
O público da "cracolândia" - e dos viciados em crack em geral - tem um perfil razoavelmente definido, segundo pesquisa coordenada por Maria Gorete Marques de Jesus, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo: depois de analisar 923 casos, verificou que a maioria (54%) é jovem (entre 18 a 29 anos), pobre (61% não podiam pagar advogado e, por isso, eram atendidos pela Defensoria Pública), e de baixa escolaridade (80% tinham apenas o ensino fundamental).
Transformam-se rapidamente em farrapos humanos, de que dá prova a história contada por Paulo Novaes, taxista que circula pela região: "Outro dia, uma menina que aparentava ter 16 anos me pediu R$ 5. Disse que faria o que eu quisesse pelo dinheiro."
Uma pedra de crack custa esses R$ 5 (€ 2,18).
É importante notar que essa degradação ocorre não em rincões perdidos na selva ou na periferia de cidades remotas do Brasil supostamente emergente. É no centro da cidade mais rica do país e da América Latina, desgraçadamente desumanizada.

El patio de los milagros está aquí

Por: | 12 de enero de 2012

Tiempo atrás me crucé en Ginebra con Victor Luiz do Prado, uno de los diplomáticos brasileños más brillantes y el brazo derecho de Pascal Lamy en la Organización Mundial del Comercio. Victor vive en Ginebra desde hace varios años. Nuestra conversación se centró en la comparación entre nuestra capital, São Paulo, y la ciudad suiza.

“São Paulo perdió la dimensión humana”, lamentó el diplomático. Estuve de acuerdo. São Paulo se trasformó en una monstruosidad, y esto se puede percibir en muchos aspectos.

Desde hace diez días estamos viendo escenas explícitas de esta inhumanidad en todos los periódicos y telediarios. Cracolandia es una zona del casco antiguo y degradado de la ciudad, que está dominada por traficantes y adictos al crack. La policía ocupó esta zona el pasado día 3, convirtiéndola en un verdadero “patio de los milagros”, mostrando así la gran miseria que allí existe.

El periódico Folha de S. Paulo expone desde hace dos días la deshumanización que existe a través de historias de mujeres embarazadas que, adictas a las drogas, vagan por las calles de cracolandia llevando en sus barrigas bebés que gravemente sufrirán las consecuencias de esta escabrosa situación.

Uno de los reportajes cuenta la historia de Teresa Beatriz Viega, una jubilada de 68 años que noche tras noche, busca a su nuera Desirée de 35 años, drogadicta y embarazada de cuatro meses. Aparentemente, Teresa es el único ser humano todavía cuerdo que convive con este drama. Su hijo, João, está en la cárcel por tráfico de drogas, por lo que Teresa es el único lazo existente entre Desirée y la realidad.

El lector Alvides Telles Júnior escribió a Folha para opinar sobre el reportaje de Teresa Beatriz Viega. Dijo que “había sorprendido a las personas que ya no creen en el género humano. Su cariñosa y tenaz búsqueda por su nuera embarazada nos dio una lección de vida. Teresa la encontró tras una larga búsqueda. Su coraje es la prueba de que no todo está perdido”.

¿Será cierto que no todo está perdido?

São Paulo convive desde hace por lo menos 20 años con este “patio de los milagros” sin que la sociedad reaccione. Después que la policía entrara en esta zona, los números demostraron que la miseria humana puede llegar a ser una fuente de ganancias. La venta de drogas en el área, según la policía, movía un millón de reais al mes, 436 mil euros.

Vaguinaldo Marinheiro comenta en Folha: “Es un valor muy bajo en comparación al 900% de ganancias de la producción de cocaína (base para el crack) de Bolivia (principal proveedora de Brasil) que llega al mercado europeo”.

Según la policía, un kilo de cocaína se compra por 7.000 reais (3.054 euros) en Bolivia y se vende por 69.000 reais (30.105 euros).

En general, el perfil del público de cracolandia y de los adictos al crack está razonablemente definido, según una investigación coordinada por Maria Gorete Marques de Jesus, del Núcleo de Estudios de la Violencia de la Universidad de São Paulo. Después de analizar 923 casos la investigadora concluyó que:

  • El 54% de la población son jóvenes que tienen entre 18 y 29 años
  • El 61% es pobre, esto significa que no pueden pagar un abogado, por lo que son defendidos por un fiscal público
  • El 80% de la población no ha concluido los estudios de primaria.

Se transformaron rápidamente en trapos humanos. Prueba de ello es la historia contada por Paulo Novaes, taxista de la zona. “El otro día una chica que aparentaba unos 16 años me pidió cinco reais. Dijo que haría lo que yo quisiera si le daba el dinero”, narró el taxista. Una piedra de crack cuesta cinco reais (2,18 euros).

Es importante resaltar que esta degradación no ocurre en rincones perdidos de la selva o en las zonas periféricas de ciudades remotas de un Brasil supuestamente emergente. Esto ocurre en el centro de la ciudad más rica del país y de Latinoamérica, desgraciadamente deshumanizada.

Traducción: Beatriz Borges

El País

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