Clovis Rossi

Sobre el autor

Clovis Rossi. 48 años de periodismo, columnista del diario "Folha de S. Paulo" y del portal Folha.com, ya ejerció todas las funciones posibles en el periodismo, de reportero a editor-jefe, ganador de los premios Maria Moors Cabot, de la Universidad Columbia (NY) y de la Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, dirigida por Gabriel García Márquez, los dos por el conjunto de la obra.

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A mãe (ou pai) de todas as corrupções

Por: | 13 de abril de 2012



Faz sete anos uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi batizada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "CPI do Fim do Mundo". Criada para investigar as casas de jogo de bingo e suas relações com políticos, acabou investiigando tudo, menos os bingos, e, como de praxe, não produziu resultados apreciáveis.
Pois bem: um dos personagens dessa investigação, um certo Carlinhos Cachoeira (o da foto acima), reaparece agora no noticiário, dando ele próprio título a uma CPI que, esta sim, tende a ser, se pudesse ser levada a sério, a do fim do mundo. 
Cachoeira é um desses personagens clássicos no mundo da baixa política: usa seus contatos com próceres políticos para fazer negócios, em geral ilícitos. Sua primeira aparição no noticiário se deu por ligações com Waldomiro Diniz, então assessor de José Dirceu, o chefe da Casa Civil do governo Lula e o segundo homem do PT, após o próprio Lula.
Agora, aparece por conta de vínculos com figuras relevantes de dois outros partidos, ambos de oposição ao PT de Lula, o senador Demóstenes Torres, que deixou o DEM (Democratas, ex-Partido da Frente Liberal, direitista) exatamente por causa do escândalo, e o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB. Ou seja, Cachoeira transitou alegremente pelos três partidos que governaram o Brasil nos últimos 17 anos (o DEM, então PFL, estava coligado com o PSDB nos dois períodos de Fernando Henrique Cardoso).
A colunista Eliane Cantanhêde, da Folha de S. Paulo, desconfia que há mais partidos na extensa teia de Cachoeira. Escreveu na quinta-feira: "Os tentáculos de Cachoeira, conhecidos apenas em parte, atingem petistas, tucanos, democratas e outros menos cotado, mas curiosamente até aqui não chegaram ao PMDB, partido imenso, com ramificações em todos os Estado e enormes bancadas congressuais - e que não chega a ser um santuário" (ah, santa ironia).



É natural, portanto, que se tenha criado um ambiente de, digamos, fim de mundo, do que dão prova três pequenas notas publicadas na coluna de Mônica Bergamo ("Folha de S. Paulo"), uma das mais bem informadas do Brasil:

Nota 1 - Quem ouviu as conversas de Lula com petistas para a criação da CPI de Cachoeira, diz que ele está com "sangue nos olhos". O ex-presidente diz acreditar que ela pode esclarecer como surgiram não apenas o mensalão [o maior escândalo da gestão Lula], mas vários outros escândalos de seu governo que teriam como origem arapongagens [escutas clandestinas] do grupo do contraventor [Cachoeira].
Nota 2 - O eventual envolvimento de petistas com Cachoeira seria um efeiito colateral suportável, tem dito Lula, diante dos benefícios de uma CPI.
Nota 3 - O senador Demóstenes Torres disse anteontem em conversa com interlocutores com quem tem se aconselhado que não cai sozinho no escândalo de Carlinhos Cachoeira. Calcula que tombem, como ele, pelo menos dez outros deputados federais, de PSDB, PMDB e PT, por envolvimento com o contraventor.

Por tudo isso, boa parte dos analistas políticos acredita que a CPI terminará em pizza, como se diz no Brasil quando se quer afirmar que alguma coisa não produziu resultado algum.
Desde já, de qualquer modo, é triste verificar que todos os movimentos, de todos os partidos, em torno do caso Cachoeira, se dão com o único propósito de atingir o outro, jamais o de promover uma limpeza verdadeira na vida pública.

El País

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