Clovis Rossi

O torneio da morte

Por: | 03 de abril de 2012


A antiga rivalidade entre São Paulo e Rio de Janeiro manifesta-se até em um triste torneio: qual é a mais violenta entre as duas?Na sua edição desta terça-feira, o jornal "Folha de S. Paulo" puxou o assunto para seu principal título de capa e perguntou: "Qual Estado é mais violento, Rio ou São Paulo?"A resposta: há mais homicídios no Rio e mais roubos em São Paulo. Logo, um empate, triste empate.Na verdade, a resposta mais correta é que ambos os Estados/cidades estão perdendo. Afinal, a porcentagem de homícidios e de roubos em ambos os Estados é imensamente superior aos padrões internacionais mais civilizados.Em São Paulo, foram registrados 755 roubos para cada grupo de 100 mil habitantes no ano passado. Em território fluminense, foram 660, no mesmo período. Para efeito de comparação, os EUA registraram 533 roubos por 100 mil habitantes em 2009 -último dado disponível.O fato de haver mais homicídios no Rio que em São Paulo não é um consolo para os paulistas. Como dizem especialistas ouvidos pelo jornal, o que cria ou aumenta a sensação de insegurança é a percepção de que você pode ser roubado a qualquer momento - uma percepção que as estatísticas demonstram ser real e não paranoia.Da mesma forma, não faz nem paulistas nem cariocas sentirem-se seguros o fato de que tanto homicídios como roubos estarem diminuindo ano a ano. O número continua tão elevado que ninguém, a rigor, está tranquilo.Afinal, um estudo do Instituto Sangari, de São Paulo, mostra que, em 1980, havia 11,7 assassinatos para cada 100 mil habitantes, porcentagem que pulou para de 20 nos útimos anos. Há quatro assassinatos por hora no conjunto do país.Os números brasileiros são comparáveis aos do México, um país em guerra contra o narcotráfico desde que o presidente Felipe Calderón assumiu, faz seis anos. No entanto, a mídia internacional fala muito mais da violência no México do que no Brasil. Por quê? Resposta do Instituto Sangari:"Na agenda do presidente Calderón, o tema [da violência] é central, mas, para os presidentes do Brasil, simplesmente não existe".


Hay 10 Comentarios

Eu concordo em grande parte, embora repudiou algumas idéias .

Nao posso acreditar que por cada 100 mil habitantes 775 roubos, entao para cada 100 pessoas(aproximadamente) que eu vejo na rua , uma vai tentar me robar...
Bricadeira, de verdade aonde vamos para com um país assim.

Nossa, que trágico tudo isso mas, será que você não esta preparado para comentar sobre os acontecimentos políticos do nosso pais, tipo Demostenes/Cachoeira e cia ltda? A porca tá torcendo o rabo e nenhuma linha? Pensei que vc fosse melhorzinho!!!

"...Há quatro assassinatos por hora no conjunto do país"...são alguns dados assustadores!!!...

Nossa, você de novo, Paulistano! nao perde uma, heim? rsrsrsrs A gente tem de passar o tempo, eu houe nao estou conciliando o sono, nem uma soneca, cara. Tudo bem por aí? A gente se fala em qualqueira dos blogs. Vamos torcer pelo Brasil. BRASIL-IL-IL-IL. Abraçao

Uma longa História... quando os negros e mulatos escravos foram libertos e tiverram a sua alforria, ficaram abandonados a margem da sociedade, excluidos do consumo e do espaço social. Hoje estao mais incluidos no consumo porém seguem marginalizados dos espaços sociais. Como bem coloca uma geógrafa brasileira:
“No Brasil, o crescimento da economia
não está levando a uma melhora dos indicadores
sociais na mesma proporção. A
maior inserção na economia mundial ocorre
num momento em que a desigualdade
social do país ainda não foi relativizada.
Muita gente fica de fora, não da sociedade
de consumo, mas da participação no espaço
devido à desigualdade, que em nosso país
é avassaladora".

Según el estudio que cita en su artículo, Brasil tiene 67 ciudades con índice de homicidios superior que Iraq durante el período de la guerra, que tuvo un índice medio de 64,9 muertes por cada 100.000 habitantes.
Sólo este fin de semana en el Distrito Federal han sido 14 asesinatos, siendo que la media en el DF és de 34,2 homicidios, mientras que en las ciudades del "entorno" de Brasília, que están territorialmente dentro de los estados de Goiás y Minas Gerais el número de asesinatos llega a la espeluznante cifra de 70 por cada 100.000 habitantes.

http://www.sangari.com/mapadaviolencia/pdf2012/mapa2012_web.pdf

La bolsa baja,la sobrina de riesgo sube, los parados aumenta, a ver si se va de una vez Zapatero y llega Rajoy pa que solucione esto.

Eu acho que a violencia no Brasil, e por estensao em toda a América Latina (e nao Latina) é um fenômeno que vai a mais, e as principais previssoes para o continente sao que vai aumentar nos próximos anos. Já percebeu que esse fenômeno de violencia urbá é principalmente americano, entendendo América em lato senso? É verdade que existem algumas cidades em outros lugares do mundo que podem reproduzir esse mesmo fenômeno, mas por exemplo, exceptuando Africa do Sul, a violencia das principais cidades da Africa nao é uma violencia urbá nos parámetros de América Latina, mas de outro tipo. Na Asia igualmente. Na India, por exemplo, a gente nao vai pelas ruas asaltando bancos e cidadaos com revolver em mao. Africa e Asia sao regioes com ainda mais pobreza que o Brasil e América Latina. Tirem vocês as conclussoes.

OBS.: Peço desculpas pelos meus erros ortográficos em português. Nao sou brasileiro, mas galego.

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Sobre el autor

Clovis Rossi. 48 años de periodismo, columnista del diario "Folha de S. Paulo" y del portal Folha.com, ya ejerció todas las funciones posibles en el periodismo, de reportero a editor-jefe, ganador de los premios Maria Moors Cabot, de la Universidad Columbia (NY) y de la Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, dirigida por Gabriel García Márquez, los dos por el conjunto de la obra.

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