Juan Arias

El milagro de la unidad de Brasil

Por: | 27 de marzo de 2014

Orgullo de ser brasiloeño
Existe en el mundo una fiebre de separatismo que contrasta con el milagro de Brasil de una unidad sin grietas, a pesar de ser un país-continente, con 27 Estados, muchos de ellos mayor que algunos países europeos, pero donde todos sienten el “orgullo de ser brasileños”.

Ese prurito de secesionismo de la madre Patria surca hoy los cielos del Planeta. Aunque con motivaciones diferentes, existen hoy tentaciones de independencia como estamos viendo en Ucrania y en no pocos países de la Europa “Unida”, como España, Reino Unido, Bélgica e Italia, hasta el punto que preocupa, lo que ya es llamado “el creciente separatismo que agita a Europa”.

En la actualidad, sin embargo, no se para en Europa ese escozor de independencia. Se observa ya hasta  en los Estados “Unidos”, como es el caso del importante Estado de Texas que desearía ser independiente, o en México, donde algunos estados del Norte flirtean con ser independientes.

El rescoldo del secesionismo que está hoy resurgiendo podría  acabar contagiando a otros países arrastrados por ese demonio de la independencia en un mundo en el que se había soñado con acabar con las fronteras para poder ser todos hijos y hermanos de una única Patria común, aunque llevando cada uno consigo la riqueza de su cultura, sus costumbres y su idiosincrasia. Un mundo que debería estar amasado con la riqueza de su diversidad.

Ese milagro, que hasta ahora es sólo una dulce quimera a nivel planetario, existe en Brasil, que más que un país, es uno de los órganos importantes del cuerpo humano mundial.

Tocaría a los historiadores y antropólogos explicar ese fenómeno considerado en la actualidad como “milagroso”, pero que ya desde ahora, supone una enorme responsabilidad para los que rigen los destinos de este país de ocho millones de kilómetros cuadrados, en el que cabrían dos veces todos los países de la Unión Europea, y que cuenta con la mitad de los habitantes de los 28 Estados miembros de dicha Unión.

Nada existe como definitivo en la Historia, y Brasil no sería tampoco una excepción. Las tentaciones de separatismo pueden aparecer de repente como nubarrones en un cielo  despejado. Hoy, en el mundo globalizado, se pueden globalizar también las tentaciones al igual que las epidemias.

Si Brasil quiere mantener vivo y sólido el milagro de su unidad, que tantos contemplan hasta con estupor, debe ya desde ahora, mirándose en el espejo de la actualidad mundial, fortalecer lo que ha hecho posible esa unión visible a cualquiera que visite este país.

Y una de las recetas necesarias y urgentes sería el fortalecimiento de su condición de República Federal, que otorga por Constitución gran espacio político y administrativo a cada Estado miembro.

Cualquier tentación de querer debilitar a los Estados o de sofocar sus identidades que, juntas, constituyen la gran riqueza de su diversidad cultural, supondría abrir una rendija para que se cuele el viento de una tentación separatista.

Deberían tenerlo en cuenta los responsables por llevar a cabo en este país esa reforma política que nunca llega, porque todos la huyen por miedo a perder privilegios adquiridos. En esa reforma deberían ya aparecer los componentes para un reparto más equitativo, por ejemplo de los miembros del Congreso por Estados.

El poder central debería quedar repartido según la importancia y las necesidades de cada territorio, sin que sea fruto de conchavos o intereses bastardos, al mismo tiempo que esa unidad deberá ser un seguro de prosperidad para todos, en la medida en que la justicia sea igual para negros y blancos, mujeres y hombres, escolarizados y analfabetos, gente importante o común.

Brasil debe crecer económica, social y culturalmente de una manera justa y equitativa para que, ya que no existen - y ese es el milagro - brasileños que quieran dejar de serlo, tampoco existan Estados de primera o de segunda, y mucho menos, brasileños de abajo y de arriba, servidores y siervos, sino portadores de una misma dignidad y de unos mismos derechos y deberes.

Hoy, en un mundo que puja para separarse, Brasil debería  juntarse cada vez más en el empeño de mantenerse unido, sintiendo  que esa unidad es un seguro de seguridad y prosperidad para todos. ¿Van a enfrentarse São Paulo y Río por una disputa del agua?

Que no baste ya el orgullo de ser brasileño, sino el de sentirse participante y defensor activo de ese proyecto de unidad que hoy el mundo, enfermo de separatismo, contempla con asombro y en muchos casos hasta con envidia.

(publicado en la edición de Brasil de EL PAÍS)


 TRADUCCIÓN AL PORTUGUÉS

Existe no mundo uma febre de separatismo que contrasta com o milagre da unidade sem fissuras do Brasil, apesar de se tratar um país-continente com 27 Estados, muitos deles maiores que alguns países europeus, mas onde todos sentem o “orgulho de ser brasileiro”.

Esse anseio de secessionismo em relação à Mãe Pátria sulca hoje os céus do planeta. Embora com motivações diferentes, existem atualmente tentações independentistas como estamos vendo na Ucrânia e em não poucos países da Europa “Unida”, como Espanha, Reino Unido, Bélgica e Itália, a ponto de preocupar e já ser chamado de “o crescente separatismo que agita a Europa”.

Na atualidade, entretanto, esse ardor independentista não se limita à Europa. Observa-se já até nos Estados “Unidos”, como é o caso do importante Estado do Texas, que desejaria ser independente, ou no México, onde alguns Estados do Norte flertam com a secessão.

O rescaldo do secessionismo que está ressurgindo atualmente poderia acabar contagiando outros países, arrastados por esse demônio da independência em um mundo onde se havia sonhado com a eliminação das fronteiras para podermos ser todos filhos e irmãos de uma única Pátria comum, embora mantendo cada um a riqueza da sua cultura, dos seus costumes e das suas peculiaridades. Um mundo que deveria estar composto pela riqueza da sua diversidade.

Esse milagre, que até agora é apenas uma doce quimera em nível planetário, existe no Brasil, que, mais do que um país, é um dos órgãos importantes do corpo humano mundial.

Caberia aos historiadores e antropólogos explicar esse fenômeno considerado na atualidade “milagroso”, mas que pressupõe desde já uma enorme responsabilidade para os que regem os destinos deste país de 8 milhões de quilômetros quadrados, no qual caberiam duas vezes todos os países da União Europeia, e que conta com a metade dos habitantes dos 28 Estados membros daquela União.

Não há nada de definitivo na História, e o Brasil não haveria de ser uma exceção. As tentações separatistas podem aparecer de repente, como nuvens negras num céu claro. Hoje, no mundo globalizado, as tentações podem ser globalizadas, assim como as epidemias.

Se o Brasil quiser manter vivo e sólido o milagre da sua unidade, que tantos contemplam até com estupor, deve desde já, olhando-se no espelho da atualidade mundial, fortalecer o que tem tornado possível essa união, visível a qualquer um que visite este país.

E uma das receitas necessárias e urgentes seria o fortalecimento da sua condição de República Federativa, cuja Constituição outorga grande espaço político e administrativo a cada Estado membro.

Qualquer tentação de querer debilitar os Estados e sufocar as identidades que, juntas, constituem a grande riqueza da sua diversidade cultural significaria abrir uma fresta para que penetre o vento de uma tentação separatista.

Isso deveria ser levado em conta pelos responsáveis por realizar neste país uma reforma política que nunca chega, porque todos fogem dela com medo de perder privilégios adquiridos. Nessa reforma já deveriam aparecer os componentes para uma partilha mais equitativa, por exemplo, das vagas de cada Estado no Congresso.

O poder central deveria ser repartido segundo a importância e as necessidades de cada território, sem que fosse fruto de conchavos ou interesses escusos, ao mesmo tempo em que essa unidade deverá ser um seguro de prosperidade para todos, na medida em que a justiça seja igual para negros e brancos, mulheres e homens, escolarizados e analfabetos, gente importante ou comum.

O Brasil deve crescer econômica, social e culturalmente de uma maneira justa e equitativa, para que, já que não existem brasileiros que desejam deixar de sê-lo – e esse é o milagre –, tampouco existam Estados de primeira ou de segunda categoria, e muito menos brasileiros de baixo e de cima, servidores e servos, e sim portadores de uma mesma dignidade e dos mesmos direitos e deveres.

Hoje, em um mundo que luta para se separar, o Brasil deveria se juntar cada vez mais no empenho por se manter unido, sentindo que essa unidade é um seguro de segurança e prosperidade para todos. Será que São Paulo e o Rio vão se enfrentar por causa de água?

Que já não baste o orgulho de ser brasileiro, e sim o de se sentir participante e defensor ativo desse projeto de unidade que o mundo atual, doente de separatismo, contempla com assombro e em muitos casos até com inveja

Hay 13 Comentarios

Aqui no estado da Paraíba temos o movimento Paraíba é meu pais. Venha nos entrevistar.

Gracias por el video Sherazade!

Israel, Chico Buarque já teve em parte esta sua idéia:

https://www.youtube.com/watch?v=VHQFmBrjLCM

Lo más peligroso para Brasil en la actualidad son las llamadas "reservas indígenas", que pueden en dado momento, por presiones internacionales sumadas a fuerzas de izquierda eclesiásticas y civiles actuando internamente, querer volverse independientes. Brasil es signatario de un documento de la ONU que abre las puertas para esta hipótesis.

São Paulo poderia se separar do resto do Brasil. Por que não o faz? Por causa da água que vem do estado do Rio e de Minas Gerais. Há 80 anos, não se via uma seca como a que assola hoje o sudeste do Brasil. São Paulo já está querendo desviar o curso de um rio do estado do Rio de Janeiro...

Ignácio tem toda a razão. Não temos ainda sofisticação e maturidade para a separação. Até os inquisidores, no sec XVI, descreveram o Brasil como uma "gente infantil e sem maldade, incapaz de intelecto". Mudamos muito?

Sei não. Esse negócio de brasilidade exaltada sempre me causa certa aguda desconfiança; ademais esse tipo de coisa como a expressa na imagem que você usou no início da coluna é demasiado vulgar. Uma vaidade asfixiante, uma ostentação baixa. Me lembra o que há de obscuro e fanático no patriotismo dos Estados Unidos.
Há muito que estava para comentar isso. E nem o farei agora. Mas volta e meia me causa alguma estranheza suas declarações sobre o Brasil. Como aquela de "os black blocs nem parecem brasileiros". Não vou nem abordar o tema, mas são sempre pontos de vista que me surpreendem

Para sentir inquietudes independentistas hace falta tener cubiertas muchas necesidades básicas: alimentación, sanidad en condiciones, trabajos estables y dignos, educación seria que forme ciudadanos críticos... Justamente lo que la inmensa mayoría de brasileños no tienen y para los que más importante es vivir el día a día...que mañana "Dios proveerá".

O seu artigo revela um profundo desconhecimento da realidade brasileira. No Brasil existem diversos movimentos separatistas, todos devidamente perseguidos pelo aparato estatal brasileiro e/ou ignorados pela mídia amestrada.

O principal deles é o Pampa Livre, que defende a restauração da independência da República Rio-Grandense (hoje, Estado do Rio Grande do Sul), que se tornou independente em 20 de setembro de 1835. o Site é este:
www. pampalivre.info


Porquê você não entrevista esse pessoal ou publica uma matéria a respeito?

Lo mas inteligente seria que Portugal solicitara formar parte de Brasil. Un Estado federal mas. De esta forma los brasileños pasarian tambien a ser miembros de la Union Europea. Eso si que haria de Brasil una potencia mundial!

Si vemos los mapas de los EE.UU. (300 millones de habitantes) y de Brasil (200 millones) comprobamos que Brasil se asemeja a la parte de EE.UU. previa a la invasión de México y de su acceso al Pacífico.

El Perú podría haber sido la "California" de Brasil, pero éstos decidieron no invadirlo, y por eso Brasil no tiene acceso al Océano Pacífico.

Como una imágen invertida de EE:UU. pero sin su tercio occidental, la megalópolis del Sudeste Sao Paulo-Rio de Janeiro recuerda a la megalópolis del Noreste norteamericano Boston-Washington DC.
El Sudeste de EE.UU. como el Nordeste de Brasil.
Acre en el Oeste, poco poblado y aislado, como Montana en Norteamérica.
El Centro-Este de EE.UU. tiene una población de 200 millones de habitantes, como la de Brasil.
Lo que marca la diferencia geográfica es el acceso al Pacífico, y sobre todo los estados anexionados a México (desde California hasta Texas) El Perú aumenta cada año su colaboración económica con Brasil, y se va convirtiendo en su "California", pero la infraestructura es todavía deficiente.

Otra causa importante de la permanente unidad de Brasil es la división de los estados vecinos de habla hispana. Mientras que hay 7 países de habla hispana en Sudamérica, con una población conjunta similar a la de Brasil, su debilidad fortalece la unidad de Brasil ya que no ve amenazada su integridad territorial.

No sólo no hay separatismo sino que durante el siglo XIX aumentó su territorio con nuevos estados (Acre, Roraima, Rio Grande do Sul)

Un primer motivo de su unidad está en el carácter portugués, que es más moderado que el castellano. Por eso, no se produjo una Independencia armada de Brasil, sino una Transición pacífica tras la ocupación francesa de Portugal, de la que surgió el Reino de Brasil y Portugal. Un estado común e igualitario institucionalmente, y no basado en el dominio colonial de la metrópoli.

El Reino de Brasil y Portugal era en la práctica una estructura federal.

Por otra parte, la mezcla y asimilación de inmigrantes y esclavos de todo el Mundo por la base lusófona se produjo de forma constante. Los inmigrantes españoles (se calcula que 15 millones de brasileños son descendientes de españoles) se produjo de forma tan profunda que ya es casi imposible descubrir huellas de esa gran inmigración. Ningún grupo de inmigrantes, aparte de los portugueses, fue asimilado de forma tan rápida y profunda.

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Sobre el autor

es periodista y escritor traducido en diez idiomas. Fue corresponsal de EL PAIS 18 años en Italia y en el Vaticano, director de BABELIA y Ombudsman del diario. Recibió en Italia el premio a la Cultura del Gobierno. En España fue condecorado con la Cruz al Mérito Civil por el rey Juan Carlos por el conjunto de su obra. Desde hace 12 años informa desde Brasil para este diario donde colabora tambien en la sección de Opinión.

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